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domingo, 13 de fevereiro de 2022

Quiz Literário - Comemorativo ao centenário da Semana de Arte Moderna de 1922



1. Por que a Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada como um divisor de águas para a cultura brasileira?
a) propôs a continuação da tradição e o apego à literatura clássica.
b) antecipou as renovações literárias que só se consolidariam a partir da década de 1950 com o Concretismo.
c) foi a primeira manifestação coletiva pública na história cultural do Brasil em favor de um espírito novo e moderno que contrariasse a arte tradicional.
d) uniu técnicas literárias de maneira inédita na literatura, mesclando as influências oriundas das vanguardas europeias com o Naturalismo e o Simbolismo.

2. Sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 e seu contexto, é CORRETO afirmar que
a) os modernistas rejeitavam as tendências artísticas do século XIX, principalmente o romantismo e o parnasianismo.
b) a Semana de Arte Moderna teve pouco impacto sobre artistas plásticos e da literatura.
c) o evento teve consenso em sua aceitação e foi muito bem recebido pelo público, que rapidamente adotou as novas tendências artísticas apresentadas. 
d) a Semana de Arte Moderna quase não ocorreu, pois o então presidente, Getúlio Vargas, opunha-se a qualquer manifestação cultural que não tivesse sido organizada pelo governo.

3. O Modernismo brasileiro, através de seus autores mais representativos na Semana de Arte Moderna, propôs
a) o apego às normas clássicas oriundas do Neoclassicismo mineiro.
b) a focalização do mundo numa perspectiva apenas psicanalítica.
c) a ruptura com as vanguardas europeias, tais como o Futurismo e o Dadaísmo.
d) a literatura como espaço privilegiado para a expressão dos falares brasileiros.

4. Por quais nomes era composto o Grupo dos Cinco da Semana de Arte Moderna Brasileira de 1922?
a) Ana Malfatti, Tereza do Amaral (pintoras), Menotti e Fabiano e Marcio de Andrade (escultores).
b) Anita Malfatti, Tarsila do Amaral (pintoras), Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e Mário de Andrade (escritores).
c) Mafalda, Tarsila do Amaral, Menotti, Oswald e Andre (escritores).
d) Anita Malfatti (pintora), Mário de Andrade (escritor).

5. Entre as propostas dos participantes da Semana de Arte Moderna, podem ser citadas
a) A adesão ao futurismo, movimento vanguardista nascido nos Estados Unidos
b) A renovação na linguagem das artes brasileiras: literatura, escultura, música, pintura, e uma maior conexão com a identidade e a realidade nacionais
c) A renovação estética sobretudo das artes plásticas brasileiras, incluindo pintura, escultura, arquitetura e cinema
d) Uma reforma ortográfica que privilegiasse a oralidade da Língua Portuguesa.

6. Qual foi o título da coleção de poemas apresentada por Mario de Andrade em 1922?
a) Paulicéia Desvairada
b) Cobra Norato
c) Macunaíma
d) Memórias Sentimentais de João Miramar

7. Qual poema de Manuel Bandeira é lido durante o evento criticando abertamente o parnasianismo e a forma tradicional dos parnasianos fazerem poemas com regras?
a) Os Sapos
b) Vou-me embora pra Pasárgada
c) Pneumotórax
d) Andorinha

8. Na época, boa parte da mídia reagiu de forma conservadora ao Movimento da Semana de Arte de 1922 referindo-se aos vanguardistas como
a) "futuristas inovadores"
b) "subversores da arte"
c) "espíritos modernos"
d) "artistas atrasados"

9. Como desdobramento da Semana de 22, qual foi o movimento artístico lançado no Brasil em 1924 por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral que apresentava uma posição primitivista buscando uma poesia ingênua, de redescoberta do mundo e do Brasil?
a) Movimento Concretista
b) Movimento Verde e Amarelo
c) Movimento Pau-Brasil
d) Movimento Paulistano

10. Outro desdobramento da Semana de 22 foi o Manifesto Antropofágico que pregava a criação de uma poesia brasileira de exportação. Quem foi o autor desse manifesto?
a) Mário de Andrade
b) Manuel Bandeira
c) Raul Bopp
d) Oswald de Andrade


domingo, 30 de maio de 2021

Atividade sobre Modernismo a partir de dois poemas de Vinícius de Morais



Você vai ler, a seguir, dois poemas de Vinícius de Morais: "Pátria minha" e "Soneto de separação". O primeiro foi incluído na Antologia poética publicada em 1954, e o segundo, na obra Poemas, sonetos e baladas, publicada em 1946.

Texto 1 - Pátria minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
[...]

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."

Texto 2 - Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

1. Na primeira estrofe de "Pátria minha", o eu lírico compara a pátria a uma criança dormindo. O que há em comum entre os elementos dessa comparação?

2. O eu lírico do texto 1 se refere à pátria por meio de um conjunto de metáforas, como "fonte de mel", "bicho triste", "desolação de caminhos", "terra sedenta", "grande rio secular", "ilha de ternura". Que visão ele revela ter sobre a pátria, por meio dessas metáforas?

3. Em alguns trechos, o poema "Pátria minha" estabelece uma relação intertextual com o Hino Nacional.
a. Identifique esses trechos.

b. A apropriação do discurso oficial sobre a pátria, nesse caso, confirma-o ou nega-o? Justifique sua resposta.

4. Releia a última estrofe do poema "Pátria minha".
a. Explique a formação e o sentido do neologismo avigrama.

b. Por que o eu lírico chama a cotovia e o rouxinol, se é o sabiá que vai levar o avigrama?

c. Com que outro poema de exílio "Pátria minha" estabelece uma relação intertextual? Que palavra dessa estrofe explicita essa relação?

d. Geralmente, a voz que fala nos poemas é a do eu lírico, que nem sempre corresponde à voz do próprio poeta. Essa simulação poética também se verifica no poema "Pátria minha"? Justifique com elementos dessa estrofe.

5. Como o nome sugere, o "Soneto de separação" tem como tema a separação. De que tipo de separação trata o poema?

6. As figuras de linguagem cumprem um importante papel na construção do poema.
a. Identifique a figura de linguagem que se verifica nestes pares de palavras:
- riso/pranto
- bocas unidas/espuma
- mãos espalmadas/espanto
- calma/vento

b. Como essa figura de linguagem expressa o drama que o eu lírico vive com a separação?

c. A repetição constante da expressão de repente constitui uma anáfora. Que efeito de sentido é criado por essa anáfora, considerando-se o sentido global do texto?

7. O hipérbato ou inversão é outra figura de linguagem que ocorre com frequência no poema.
a. Coloque na ordem direta os seguintes versos do poema, desfazendo os hipérbatos.

- "De repente do riso fez-se o pranto"

- "De repente da calma fez-se o vento"

- "Que dos olhos desfez a última chama"

b. Levante hipóteses: Que relação há entre as inversões sintáticas nos versos e o conteúdo do poema?

8. Por meio de imagens, o eu lírico consegue transmitir os sentimentos decorrentes da separação, ao mesmo tempo que faz uma espécie de balanço da vida. Responda, justificando suas respostas com palavras ou expressões do texto:
a. Que sentimentos ele revela ter nesse momento?

b. Que perspectiva o eu lírico tem para sua vida?

9. Observe e compare, do ponto de vista formal, os dois poemas de Vinícius de Morais.
a. Qual deles adota uma forma convencional, com versos regulares? Qual adota uma forma livre, com versos livres?

b. Qual dos dois poemas tem uma linguagem mais elevada? Em qual deles a linguagem é mais simples e coloquial?

c. O que as respostas dos itens anteriores permitem concluir sobre a poe sia de Vinícius de Morais, do ponto de vista formal?


Fonte: Português: Linguagens

Atividade sobre Modernismo a partir de dois poemas de Cecília Meireles



Leia, a seguir, dois poemas de Cecília Meireles, ambos da obra "Viagem".

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

1. O poema "Motivo" se inicia com o verso "Eu canto porque o instante existe".
a. Qual é o canto a que se refere o poema?

b. Para o eu lírico, o que motiva o seu canto?

2. O poema "Motivo" é constituído, em grande parte, de antíteses.
a. Identifique as antíteses do poema.

b. A quem elas se referem?

c. Como o eu lírico vê a si mesmo em sua experiência de poeta?

d. Qual é a importância dessas antíteses no processo de criação poética?

3. Há, no poema "Motivo", referência à efemeridade do tempo, tema frequente na poesia de tradição clássica.
a. Identifique uma referência a esse tema.

b. Para o eu lírico, se a matéria é efêmera, então o que é eterno? Justifique sua resposta com um verso do poema.

4. No poema "Canção", o eu lírico faz referência ao seu sonho e, por meio de um conjunto de imagens, revela o destino que deu a eles.
a. A que meio ou ambiente estão relacionadas as imagens do poema? Justifique com alguns elementos do texto.

b. Com que objetivo o eu lírico põe seu sonho em um navio? O que representa o naufrágio do navio?

c. Dê uma interpretação à imagem final do poema: "e as minhas duas mãos quebradas".

d. Que sentimentos o eu lírico revela ter em relação ao sonho e à vida?

5. Cecília Meireles é considerada uma poetisa de grande habilidade formal. Compare os dois poemas e responda:
a. Que semelhança eles apresentam, do ponto de vista formal, ou seja, quanto a estrofação, métrica, ritmo e rimas?

b. Entre as figuras de linguagem sonoras, qual delas se verifica nos versos "O vento vem vindo de longe" e "a noite se curva de frio", do poema "Canção"? Que efeito de sentido ela resulta da presença dessa figura?

c. Cecília Meireles é associada frequentemente ao Simbolismo ou ao Neossimbolismo. Que traços desses poemas têm afinidade com a estética simbolista? Justifique sua resposta com elementos dos textos.


Fonte: Português: Linguagens

sábado, 29 de maio de 2021

Atividade sobre Modernismo comparando poesias de Castro Alves e Oswald de Andrade



Você vai ler e comparar, a seguir, dois textos: o primeiro é um poema de Castro Alves, poeta que pertenceu ao Romantismo, no século XIX; o segundo é um poema de Oswald de Andrade.
Texto 1 - O laço de fita

Não sabes, criança? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
                    Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
                    O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
                    Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
                    Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
                    Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
                    Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
                    No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
                    Teu laço de fita.

Texto 2

Amor
Humor

1. No poema "Laço de fita", o eu lírico expressa suas emoções.
a. Como ele se sente?

b. O que representa o laço de fita, que recebe destaque no poema?

2. O poema "Laço de fita" apresenta um conjunto de imagens formadas por palavras como "prendi", "enroscava-se", "prisioneiro", "cadeias de ferro", "elos", entre outras.
a. Como o eu lírico se sente em relação à pessoa amada?

b. Ele deseja essa condição ou quer se livrar dela? Justifique sua resposta.

3. O texto 1 apresenta forte musicalidade.
a. Que recursos são utilizados para criar esse efeito?

b. Que relação pode haver entre a musicalidade do texto e a manifestação dos sentimentos do eu lírico?

4. "Amor", de Oswald de Andrade, é provavelmente o menor poema da língua portuguesa. Que visão o eu lírico tem do amor?

5. Produzidos em contextos históricos e culturais diferentes, os textos apresentam diferentes modos de expressar o sentimento amoroso.
Associe, em seu caderno, os traços a seguir a cada um dos textos.
- ironia
- idealização amorosa
- contenção emocional
- síntese
- explosão dos sentimentos
- abundância de imagens
- musicalidade envolvente
- dessacralização amorosa


Fonte: Português: Linguagens

Atividade sobre Modernismo a partir de três poemas de Manuel Bandeira



Leia os poemas de Manuel Bandeira a seguir.

Texto 1 - Andorinha

Andorinha lá fora está dizendo:
- "Passei o dia à toa, à toa!"

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...

Texto 2 - Momento num café

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida

Confiantes da vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.

Texto 3 - Nova poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma nódoa de lama:
É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.

Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.

1. Na primeira estrofe do texto 1, o verso "Passei o dia à toa, à toa!" faz uso de um recurso sonoro especial. Qual é esse recurso? Que relação ele tem com o conteúdo do poema?

2. A segunda estrofe do poema "Andorinha" está em oposição à primeira.
a. Que palavras ou expressões do poema constituem uma antítese?

b. Que sentido tem a expressão à toa para a andorinha? E para o eu lírico?

c. Que sentido produzem as reticências no último verso?

d. Se considerarmos a hipótese de que esse poema pode expressar sentimentos e vivências não apenas do eu lírico, mas também do próprio poeta (leia o boxe "Manuel Bandeira" na página anterior), como se poderia explicar o verso "Passei a vida à toa, à toa..."?

3. "Momento num café" retrata uma cena comum do cotidiano: a passagem de um enterro. Como se portam os fregueses do café quando passa o enterro? O que justifica esse comportamento?

4. A segunda estrofe do texto 2, porém, destaca uma atitude diferente de um dos clientes do café, estabelecendo uma oposição em relação à primeira estrofe.
a. Que palavra ou expressão dessa estrofe introduz a ideia de oposição?

b. Que palavra da segunda estrofe está em oposição à palavra maquinalmente, da primeira estrofe?

c. Por que esse cliente tem uma postura diferente?

d. Que visão ele tem da vida?

e. Que visão ele tem da morte?

5. O poema "Nova poética" lança a "teoria do poeta sórdido". Para explicar essa teoria, o eu lírico faz uma comparação.
a. Considerando a relação entre a poesia e os leitores, a que ele compara o poema e sua função?

b. Explique o verso "O poema deve ser como a nódoa no brim".

6. Na última estrofe do texto 3, o eu lírico afirma que "a poesia é orvalho".
a. Interprete essa metáfora.

b. Os poemas "Andorinha" e "Momento num café" estão mais para a "nódoa no brim" ou para o "orvalho"? Por quê?

7. Manuel Bandeira é considerado um mestre do verso livre, tipo de verso sem uma métrica predeterminada introduzido pelos modernistas. Observe o 5º e o 1Oº versos. O que justifica, no contexto, o emprego de versos tão longos?

8. Manuel Bandeira é um poeta especial em nossa literatura, pois consegue extrair reflexões profundas sobre a existência humana a partir de situações banais do cotidiano. Embora muitas vezes pareça falar de si mesmo, sua poesia geralmente alcança universalidade. Esse traço de sua poesia se verifica nos poemas lidos? Justifique sua resposta.


Fonte: Português: Linguagens

Especial: Semana de Arte de Moderna de 1922

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Atividade sobre "Manifesto Pau-Brasil", de Oswald de Andrade; Concordância Nominal



Oswald de Andrade / Ilustração de Tarsila do Amaral
Para responder às questões de 1 a 5, leia a seguir o trecho final do "Manifesto da Poesia Pau-Brasil", de Oswald Andrade, publicado no jornal Correio da Manhã, em 1924, texto que representou um marco do movimento modernista brasileiro, estudado por você neste capítulo.

[...]

O trabalho da geração futurista foi ciclópico. Acertar o relógio império da literatura nacional.

Realizada essa etapa, o problema é outro. Ser regional e puro em sua época.

O estado de inocência substituindo o estado de graça que pode ser uma atitude do espírito.

O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica.

A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna.

Apenas brasileiros de nossa época. O necessário de química, de mecânica, de economia e de balística. Tudo digerido. Sem meeting cultural. Práticos. Experimentais. Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem comparações de apoio. Sem pesquisa etimológica. Sem ontologia.

Bárbaros, crédulos, pitorescos e meigos. Leitores de jornais. Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil.

1. Discuta com os colegas e o professor e levante hipóteses:
a. Qual é o objetivo de um manifesto, em geral?

b. Qual é o objetivo do "Manifesto Pau-Brasil", especificamente?

2. Em seu texto, Oswald de Andrade opõe dois tipos de literatura, uma tradicional e uma nova, proposta por ele e seus contemporâneos.
a. Identifique no texto termos e expressões que o poeta utiliza para descrever a literatura tradicional.

b. Identifique no texto termos e expressões que o poeta utiliza para descrever a nova literatura proposta pelos modernistas.

c. Com base em suas respostas aos itens anteriores, deduza: Qual era, em resumo, a proposta do manifesto para os rumos da poesia modernista brasileira? Justifique sua resposta com elementos do texto.

d. Discuta com os colegas e o professor e conclua: Qual a importância da presença de tantos termos descritivos e adjetivos especificamente nesse texto?

3. Releia o trecho: "O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna":
a. Quais elementos são colocados em paralelo nesse trecho?

b. Entre os dois tipos de literatura expostos na questão anterior, a qual esse trecho se refere e o que ele propõe que seja feito?

c. Reescreva-o, começando cada uma das frases pelo pronome nossa e transformando o termo melhor em determinante dos substantivos tradição e demonstração.

d. Reescreva o trecho do texto e sua resposta do item c, passando os substantivos tradição e demonstração para o plural e fazendo as alterações necessárias.

e. Discuta com os colegas e o professor: Qual é a diferença entre a função do termo melhor no trecho do texto e na construção feita por você no item c?

4. Releia os dois últimos parágrafos do texto, discuta com os colegas e o professor e, com base no restante do texto, conclua:
a. A qual termo citado anteriormente no texto se referem os adjetivos "Práticos. Experimentais. Poetas" e "bárbaros crédulos, pitorescos e meigos"? Justifique sua resposta com argumentos morfológicos, que levem em conta a flexão de gênero e número das palavras.

b. Levante hipóteses: Por que foi feita essa flexão e não outra?

5. Releia o trecho final:

"Pau-Brasil. A floresta e a escola. O Museu Nacional. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil."

a. O que representam essas imagens em relação à proposta do manifesto para a literatura da época?

b. Qual efeito de sentido a repetição do termo Pau-Brasil constrói no texto?

6. Leia as frases a seguir:

I. Vimos os prédios e as casas enfeitadas para o carnaval.
II. As camisas verde e vermelha estão sujas.
III. É livre, voluntária e gratuita a participação e o comparecimento.

As três frases seguem as regras de concordância da gramática normativa. É possível, entretanto, perceber ruídos ou ambiguidades que podem causar problemas de leitura em todas elas.
a. Identifique quais possíveis problemas de leitura pode haver em cada uma.

b. Sugira novas redações, que eliminem os problemas apontados no item a.

c. Discuta com os colegas e o professor e conclua: Memorizar regras de concordância é suficiente para produzir bons textos?


Fonte: Português: Linguagens

Especial: Semana de Arte de Moderna de 1922

Atividade sobre poesias do Modernismo com Mário de Andrade e Oswald de Andrade



"Paisagem com touro", de Tarsila do Amaral
Você vai ler, a seguir, um painel de textos modernistas. O texto 1 é um fragmento do "Prefácio interessantíssimo", que Mário de Andrade escreveu para sua obra Pauliceia desvairada e que serviu como referência teórica aos modernistas de 1922. Os textos 2, 3 e 4 são poemas de Oswald de Andrade.

Texto 1

Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem
pensar tudo o que meu inconsciente me grita.
Penso depois: não só para corrigir, como para
justificar o que escrevi. Daí a razão deste
Prefácio Interessantíssimo.
[...]

Um pouco de teoria?
Acredito que o lirismo, nascido no
subconsciente, acrisolado num pensamento claro
ou confuso, cria frases que são versos inteiros,
sem prejuízo de medir tantas sílabas, com
acentuação determinada.
[...]

Pronomes? Escrevo brasileiro. Si uso ortografia
portuguesa é porque, não alterando o resultado,
dá-me uma ortografia.

Escrever arte moderna não significa jamais
para mim representar a vida atual no que tem
de exterior: automóveis, cinema, asfalto. Si
estas palavras frequentam-me o livro não é porque pense com
elas escrever moderno, mas
porque sendo meu livro moderno, elas têm nele
sua razão de ser.

Texto 2

erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

Texto 3

O capoeira

- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada

Texto 4

são josé del rei

Bananeiras
O Sol
O cansaço da ilusão
Igrejas
O ouro na serra de pedra
A decadência

1. A respeito do "Prefácio interessantíssimo", de Mário de Andrade, responda:
a. Como nasce ou deve nascer a poesia, segundo o autor? Em que essa concepção poé tica difere da dos parnasianos?

b. Qual é a posição do poeta a respeito da língua a ser usada em poesia? Em que essa posição difere da tradição literária?

c. Ao citar "automóveis, cinema, asfalto", o poeta indiretamente rejeita o rótulo de "futurista", frequentemente atribuído, na época, a todos os que eram modernistas. Segundo ele, de que deve tratar a arte moderna?

2. Os modernistas da primeira geração tiveram uma posição iconoclasta, de destruição da cultura do passado, e apresentaram propostas para a implantação da arte moderna no Brasil. Veja algumas das propostas literárias dessa geração:
- busca da síntese
- verso livre
- fragmentação
- valorização de temas brasileiros e de elementos da paisagem nacional
- revisão crítica do passado histórico brasileiro
- nacionalismo (crítico ou ufanista)
- valorização da língua brasileira
- flashes cinematográficos
- humor e ironia
- poesia nominal (feita principalmente com substantivos)

Quais dessas propostas você reconhece:

a. no texto 2?

b. no texto 3?

c. no texto 4?

3. Compare o poema "O capoeira", de Oswald de Andrade, ao "Prefácio interessantíssimo", de Mário de Andrade. Em que os dois textos se assemelham?

4. O Manifesto surrealista, de autoria do escritor francês André Breton, foi publicado em 1924. Apesar disso, Mário de Andrade, no "Prefácio interessantíssimo", de 1922, já fazia menção a alguns dos princípios surrealistas, entre eles o da "escrita automática". Explique por quê.

5. São José del Rei é um dos nomes que, no passado, teve a atual cidade de Tiradentes, em Minas Gerais. Observe a sequência dos versos do poema "são josé del rei".
a. Qual é o tema do poema?

b. Há conectores que ligam os versos? Se não, como é feita a conexão entre eles?

c. Que palavra é uma espécie de síntese de todo o poema? Que relação essa palavra tem com os ciclos da economia brasileira?


Fonte: Português: Linguagens

Especial: Semana de Arte de Moderna de 1922

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Atividade sobre variedade linguística a partir do texto de Carlos Drummond de Andrade



Leia o trecho do texto "ANTIGAMENTE", de Carlos Drummond de Andrade:

"Antigamente, certos tipos faziam negócios e ficavam a ver navios; outros eram pegados com a boca na botija, contavam tudo tintim por tintim e iam comer o pão que o diabo amassou, lá onde Judas perdeu as botas. E alguns ouviam cantar o galo, mas não sabiam onde".

1. Esse trecho de Carlos Drummond der Andrade se encaixa em que nível de linguagem?
a) culta
b) informal
c) técnica
d) jornalística

2. Em qual alternativa abaixo a expressão citada no texto de Drummond não corresponde ao seu significado popular correto?
a) "a ver navios" - esperar por algo que não vem
b) "tintim por tintim" - com todos os detalhes
c) "com a boca na botija" - agindo de forma previsível
d) "onde Judas perdeu as botas" - um lugar muito distante

3. Muitas vezes, a fala dos adolescentes pode ser encaixada na variação sociocultural, isto é, comum apenas ao determinado grupo de jovens. Marque a alternativa que apresenta somente exemplos dessa variação:
a) ―Fala sério, gente! e ―Estou morrendo de fome!
b) ―Fiquei bolado! e ―Fiquei chateado!
c) ―A festa foi milgrau! e ―Deu ruim na escola!
d) ―Trolei os moleque! e ― Jogo muito!

4. Releia o trecho "... e iam comer o pão que o diabo amassou" e reconheça o valor semântico expresso pela conjunção "e"
a) adição
b) conclusão
c) explicação
d) alternância

5. No trecho "... mas não sabiam onde", a conjunção "mas" indica ideia de
a) explicação
b) oposição
c) conclusão
d) alternância

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Teste com textos do Modernismo (Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos)



Faça a leitura dos dois textos abaixo, os quais foram abordados nas atividades da plataforma (3º ano do Ensino Médio). Em seguida, responda às três questões do teste:

Texto 1 - CIDADEZINHA QUALQUER (poesia de Carlos Drummond de Andrade)

"Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus."


Texto 2 - VIDAS SECAS (trecho do romance de Graciliano Ramos)

"Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio.

Às vezes, utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admira as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas."

# Questões:
1. Sobre o poema "Cidadezinha Qualquer" (texto 1), o eu lírico expressa suas impressões sobre uma cidade do interior e suas características. Ao dizer "Eta vida besta", o eu lírico parece fazer críticas. Mas, na realidade, ele expressa aspectos negativos ou positivos sobre a cidadezinha? Explique sua resposta.

2. Sobre o trecho de "Vidas Secas" (texto 2), o narrador enfatiza a identificação do personagem Fabiano com um mundo particular. Como esse personagem é descrito?

3. Os dois textos lidos fazem parte do movimento Modernismo. No Brasil, a literatura do Modernismo inovou com uma linguagem mais próxima do cotidiano, tais como "Eta vida besta" e "não sentiam a quentura da terra". Comente sobre a linguagem empregada nos dois textos. 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Atividade sobre a peça teatral "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna


Atividade para aula de língua portuguesa/literatura por meio de exercícios a partir de análise e interpretação de um fragmento da peça  "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna

O texto a seguir é um fragmento do "Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna, uma peça teatral de fundo popular e religioso.
O trecho faz parte da cena do julgamento, na qual as personagens, após a morte, aguardam uma decisão quanto a seu futuro. O Encourado, que as recebe, manda o Demônio levá-las para o inferno. As personagens, aos gritos, resistem. Repentinamente, João Grilo, falando bem alto, diz que tem direito a um julgamento. As outras personagens o apoiam. Nesse momento, pancadas de sino começam a soar. O Encourado fica agitado.

"JOÃO GRILO - Ah! pancadinhas benditas! Oi, está tremendo? Que vergonha, tão corajoso antes, tão covarde agora! Que agitação é essa?
ENCOURADO - Quem está agitado? É somente uma questão de inimizade. Tenho o direito de me sentir mal com aquilo que me desagrada.
JOÃO GRILO - Eu, pelo contrário, estou me sentindo muito bem. Sinto-me como se minha alma quisesse cantar.
BISPO, estranhamente emocionado. - Eu também. É estranho, nunca tinha experimentado um sentimento como esse. Mas é uma vontade esquisita, pois não sei bem se ela é de cantar ou de chorar.
Esconde o rosto entre as mãos. As pancadas do sino continuam e toca uma música de aleluia. De repente, João ajoelha-se, como que levado por uma força irresistível e fica com os olhos fixos fora. Todos vão-se ajoelhando vagarosamente. O Encourado volta rapidamente as costas, para não ver o Cristo que vem entrando. É um preto retinto, com uma bondade simples e digna nos gestos e nos modos. A cena ganha uma intensa suavidade de Iluminura. Todos estão de joelhos, com o rosto entre as mãos.
ENCOURADO, de costas, grande grito, com o braço ocultando os olhos - Quem é? É Manuel?
MANUEL - Sim, é Manuel, o Leão de Judá, o Filho de Davi. Levantem-se todos, pois vão ser julgados.
JOÃO GRILO - Apesar de ser um sertanejo pobre e amarelo, sinto perfeitamente que estou diante de uma grande figura. Não quero faltar com o respeito a uma pessoa tão importante, mas se não me engano aquele sujeito acaba de chamar o senhor de Manuel.
MANUEL - Foi isso mesmo, João. Esse é um de meus nomes, mas você pode me chamar também de Jesus, de Senhor, de Deus... Ele gosta de me chamar Manuel ou Emanuel, porque pensa que assim pode se persuadir de que sou somente homem. Mas você, se quiser, pode me chamar de Jesus.
JOÃO GRILO - Jesus?
MANUEL - Sim.
JOÃO GRILO - Mas, espere, o senhor é que é Jesus?
MANUEL - Sou.
JOÃO GRILO - Aquele Jesus a quem chamavam Cristo?
JESUS - A quem chamavam, não, que era Cristo. Sou, por quê?
JOÃO GRILO - Porque... não é lhe faltando com o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado.
BISPO - Cale-se, atrevido.
MANUEL - Cale-se você. Com que autoridade está repreendendo os outros? Você foi um bispo indigno de minha Igreja, mundano, autoritário, soberbo. Seu tempo já passou. Muita oportunidade teve de exercer sua autoridade, santificando-se através dela. Sua obrigação era ser humilde porque quanto mais alta é a função, mais generosidade e virtude requer. Que direito tem você de repreender João porque falou comigo com certa intimidade? João foi um pobre em vida e provou sua sinceridade exibindo seu pensamento. Você estava mais espantado do que ele e escondeu essa admiração por prudência mundana. O tempo da mentira já passou.
JOÃO GRILO - Muito bem. Falou pouco mas falou bonito. A cor pode não ser das melhores, mas o senhor fala bem que faz gosto.
MANUEL - Muito obrigado, João, mas agora é sua vez. Você é cheio de preconceitos de raça. Vim hoje assim de propósito, porque sabia que isso ia despertar comentários. Que vergonha! Eu Jesus, nasci branco e quis nascer judeu, como podia ter nascido preto. Para mim, tanto faz um branco como um preto. Você pensa que eu sou americano para ter preconceito de raça?
PADRE - Eu, por mim, nunca soube o que era preconceito de raça.
ENCOURADO, sempre de costas para Manuel - É mentira. Só batizava os meninos pretos depois dos brancos.
PADRE - Mentira! Eu muitas vezes batizei os pretos na frente.
ENCOURADO - Muitas vezes, não, poucas vezes, e mesmo essas poucas quando os pretos eram ricos.
PADRE - Prova de que eu não me importava com cor, de que o que me interessava...
MANUEL - Era a posição social e o dinheiro, não é, Padre João? Mas deixemos isso, sua vez há de chegar. Pela ordem, cabe a vez ao bispo. (Ao Encourado.) Deixe de preconceitos e fique de frente.
ENCOURADO, sombrio - Aqui estou bem.
MANUEL - Como queira. Faça seu relatório
JOÃO GRILO - Foi gente que eu nunca suportei: promotor, sacristão, cachorro e soldado de polícia. Esse aí é uma mistura disso tudo.
MANUEL - Silêncio, João, não perturbe. (Ao Encourado.) Faça a acusação do bispo. (Aqui, por sugestão de Clênio Wanderley, o Demônio traz um grande livro que o Encourado vai lendo.)"

# Exercícios:
1. O texto teatral e o texto narrativo apresentam semelhanças: tanto um quanto o outro narram fatos vividos por personagens em determinado tempo e lugar.
a) Qual é o fato principal desse texto?
b) Onde possivelmente ocorrem os fatos?
c) Qual é, aproximadamente, o tempo de duração dessa cena?

2. Nesse texto, o narrador está ausente. Apesar disso, conseguimos ter uma visão ampla acerca das personagens.
a) Que ideia você faz de João Grilo e do bispo?
b) De que forma as características de cada personagem nos são reveladas, se não há narrador?

3. No texto teatral, as falas das personagens assumem um papel de destaque na construção da história. Como é reproduzida a fala das personagens: pelo discurso direto e indireto?

4. Há, no texto teatral, alguns trechos em letra do tipo diferente, ou seja, itálico, como, por exemplo:
"BISPO, estranhamente emocionado
Todos vão se ajoelhando vagarosamente
ENCOURADO, sempre de costas para Manuel"

Qual é a função desses trechos?

5. O texto teatral é escrito para ser representado. Nessa cena, que tipo de variedade linguística predomina:
a) culto formal     b) culto informal     c) regional     d) popular

6. Quando se lê um texto teatral, o leitor é o interlocutor do drama vivido pelas personagens. Quem é o interlocutor quando o texto teatral é representado?

Fonte: Português: Linguagens. CEREJA e MAGALHÃES Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

# RESPOSTAS (GABARITO)

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terça-feira, 19 de maio de 2020

Atividade sobre o livro "Primeiras Estórias", de Guimarães Rosa




Leia o texto abaixo - um fragmento do livro "Primeiras Estórias", do escritor Guimarães Rosa - representante da Terceira Geração do Modernismo:

A terceira margem do rio

     Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente – minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.
     Era a sério. Encomendou a canoa especial, de pau de vinhático, pequena, mal com a tabuinha da popa, como para caber justo o remador. Mas teve de ser toda fabricada, escolhida forte e arqueada em rijo, própria para dever durar na água por uns vinte ou trinta anos. Nossa mãe jurou muito contra a ideia. [...] Nosso pai nada dizia. Nossa casa, no tempo, ainda era mais próxima do rio, obra de nem quarto de légua: o rio por aí se estendendo grande, fundo, calado que sempre. Largo, de não se poder ver a forma de outra beira. E esquecer não posso, do dia em que a canoa ficou pronta.
     Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: – “Cê vai, ocê fique, você nunca volte!” Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: – “Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?” Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa. [...]
ROSA, J. G. Primeiras estórias. 1ª ed. especial. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. p. 77-78. Fragmento. 

# Questões:
1. De acordo com esse texto, o pai era um homem
A) ingênuo.
B) orgulhoso.
C) retraído.
D) rígido.
E) sonhador.

2. Essa história tem início quando
A) a canoa especial fica pronta.
B) a mãe fica contra a ideia do pai.
C) o filho pede para ir com o pai.
D) o pai manda fazer uma canoa.
E) o pai vai embora na canoa.

3. No trecho “E a canoa saiu se indo – a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.” (ℓ. 22-23), o recurso estilístico utilizado é
A) comparação.
B) exagero.
C) oposição de ideias.
D) personificação.
E) repetição de sons.

4. No trecho “Ele só retornou o olhar em mim,...” (ℓ. 20-21), o termo "Ele" se refere a
A) irmão.
B) menino.
C) pai.
D) remador.
E) rio.

5. Nesse texto, no trecho “... ralhava no diário com a gente...” (ℓ. 4-5), a expressão "ralhava no diário" significa que a mãe
A) brigava pelos direitos dos filhos.
B) cobrava dos filhos os deveres do dia a dia.
C) descrevia os acontecimentos do dia a dia.
D) pedia que os filhos contassem como foi o dia.
E) reclamava dos filhos com o pai.

6. No trecho “Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu...” (ℓ. 14), a expressão "Sem alegria nem cuidado" dá ideia de
A) causa.
B) finalidade.
C) lugar.
D) modo.
E) tempo.

7. De acordo com esse texto, a canoa teve de ser fabricada forte e resistente porque
A) a mãe era contra a sua construção.
B) deveria caber um remador.
C) era feita de pau de vinhático.
D) o pai era um homem sério e ordeiro.
E) precisava resistir à água por anos.

sábado, 16 de maio de 2020

Atividade com o poema "Trem de Ferro", de Manuel Bandeira




Leia o poema abaixo, de Manoel Bandeira:

Trem de Ferro
Café com pão
Café com pão
Café com pão [...]

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Aô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade de cantar! [...]

# Questões:
1. Nesse texto, no trecho “Aô... / Foge, bicho / Foge, povo” (v. 17-19), o termo "Aô" em destaque foi utilizado para mostrar
A) o apito do trem.
B) o brado do maquinista.
C) o correr do riacho.
D) o grito do povo.
E) o som da boiada.

2. De acordo com esse texto, o trem pede para o foguista botar fogo na fornalha porque
A) deve chegar ao riacho.
B) necessita fugir da boiada.
C) precisa de muita força.
D) quer tomar café com pão.
E) tem vontade de cantar.

3. Sobre o poema, assinale a única alternativa INCORRETA:
A) a composição baseia-se em brincadeira popular, procedimento frequente na poesia de Manuel Bandeira.
B) O poema é construído a partir do ponto de vista de um observador que vê passar um trem de ferro.
C) O ritmo primordialmente binário do poema e a ocorrência de repetições recriam o funcionamento da locomotiva.
D) O uso intencional dos aspectos fônicos confere expressividade ao poema e reforça o sentido de seu título.

4. Sobre o poema Trem de Ferro, de Manuel Bandeira, é INCORRETO afirmar que:
A) o poema é uma imitação sonora de um trem em movimento.
B) a influência do naturalismo já estava presente nesse poema; o rompimento com tradições poéticas, ousadia de versos livres e menos rimados, o uso da ironia e o senso crítico.
C) a riqueza do poema está no ritmo e na musicalidade baseada na métrica, na aliteração e na assonância.
D) o ritmo do trem é marcado pelo número de sílabas poéticas do verso, quando está indo é veloz e há trissílabos, quando perde velocidade possui quatro ou cinco sílabas poéticas.

5. O poema de Manuel Bandeira é representativo de qual movimento literário?
A) Modernismo
B) Neoclassicismo
C) Parnasianismo
D) Simbolismo

Atividade sobre o romance "São Bernardo", de Graciliano Ramos




Leia o texto abaixo - um fragmento do romance "São Bernardo", de Graciliano Ramos:

    Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.
    Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a composição literária convidei Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, redator e diretor do Cruzeiro. Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa.
    Estive uma semana bastante animado, em conferências com os principais colaboradores, e já via os volumes expostos, um milheiro vendido graças aos elogios que, agora com a morte do Costa Brito, eu meteria na esfomeada Gazeta, mediante lambujem. Mas o otimismo levou água na fervura, compreendi que não nos entendíamos.
    João Nogueira queria o romance em língua de Camões, com períodos formados de trás para diante. Calculem.
    Padre Silvestre recebeu-me friamente. Depois da Revolução de Outubro, tornou-se uma fera, exige devassas rigorosas e castigos para os que não usaram lenços vermelhos. Torceu-me a cara. E éramos amigos. Patriota. Está direito: cada qual tem as suas manias. Afastei-o da combinação e concentrei as minhas esperanças em Lúcio Gomes de Azevedo.
Gondim, periodista de boa índole e que escreve o que lhe mandam. [...] RAMOS, Graciliano. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 1-2. Fragmento. (P120568RJ _SUP)

# Questões:
1. No trecho “Afastei-o da combinação...” (ℓ. 17), o pronome "o" retoma
A) Azevedo Gondim.
B) Costa Brito.
C) João Nogueira.
D) Lúcio Gomes.
E) Padre Silvestre.

2. Nesse texto, um trecho que demonstra um traço de ironia está em:
A) “Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas;...”. (ℓ. 3-4)
B) “... prometi ao Arquimedes a composição tipográfica;...”. (ℓ. 4-5)
C) “Mas o otimismo levou água na fervura,...”. (ℓ. 10-11)
D) “João Nogueira queria o romance em língua de Camões [...]. Calculem.”. (ℓ. 12-13)
E) “Padre Silvestre recebeu-me friamente.”. (ℓ. 14)

3. Nesse texto, os termos “Cruzeiro” e “Gazeta” estão em itálico para
A) apresentar citações diretas.
B) destacar nomes de periódicos.
C) indicar comentários do autor.
D) marcar termos estrangeiros.
E) ressaltar palavras novas.

4. No trecho “Padre Silvestre recebeu-me friamente. Depois da Revolução de Outubro, tornou-se uma
fera,...” (ℓ. 14-15), a expressão "tornou-se uma fera" é utilizada com o objetivo de
A) demonstrar indiferença em relação à frieza do Padre.
B) intensificar o quão furioso tornou-se Padre Silvestre.
C) ironizar o Padre por conta da decepção sofrida.
D) questionar a atitude tomada pelo Padre Silvestre.
E) sugerir discordância a respeito da atitude do Padre.

5. No trecho “Mas o otimismo levou água na fervura,...” (ℓ. 10-11), a expressão "levou água na fervura" é um exemplo
de linguagem utilizada em
A) artigos de medicina.
B) audiências jurídicas.
C) conversas entre amigos.
D) notícias de jornais.
E) reuniões administrativas.

6. No trecho "... e poria o meu nome na capa", a conjunção "e" indica ideia de
A) adição
B) alternância
C) oposição
D) explicação
E) conclusão

# RESPOSTAS (GABARITO)

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quarta-feira, 13 de maio de 2020

Atividade sobre "Vidas Secas", de Graciliano Ramos




Assunto: A prosa da Segunda Fase do Modernismo do Brasil

Na 2ª fase do Modernismo, os escritores se demonstraram preocupação com os problemas sociais e aproximação com a linguagem coloquial e regional. Assim, ela mostrou a realidade de diversos locais do país, ora no campo, ora na cidade.

Leia o fragmento abaixo da obra "Vidas Secas", de Graciliano Ramos, escritor da Segunda Fase do Modernismo Brasileiro. O trecho descreve um pouco sobre o personagem Fabiano, um vaqueiro que se vê fugindo da seca e da miséria com a família.

"Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio.

Às vezes, utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos – exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admira as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas."

# Questões:
1. O texto, no seu conjunto, enfatiza:
a) a pobreza física do personagem
b) a escolaridade do personagem
c) a identificação do personagem com o mundo animal
d) os traços da seca refletidos no personagem
RESPOSTA

2. O fragmento lido evidencia que a capacidade comunicativa do personagem Fabiano
a) era eficiente com animais e humanos
b) era eficiente apenas com humanos
c) era eficiente apenas com animais
d) era ineficiente com animais e humanos
RESPOSTA

3. No trecho "E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia", a quem refere a palavra "companheiro"
a) a algum funcionário do local onde trabalhava
b) a gente da cidade
c) ao cavalo
d) a alguma pessoa bruta
RESPOSTA

4. No fragmento "Admira as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas em vão", revela-se que o personagem Fabiano fazia uso de qual variedade linguística?
a) culta
b) regional
c) padrão
d) formal
RESPOSTA

5. "Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais". Esse trecho revela que o personagem Fabiano era uma pessoa
a) civilizada
b) sociável
c) ignorante
d) urbana
RESPOSTA

6. Na oração "mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas", a conjunção "mas" expressa ideia de
a) explicação
b) conclusão
c) oposição
d) adição

terça-feira, 5 de maio de 2020

Aula sobre Modernismo (3ª fase) - poesia de João Cabral de Melo Neto



# MODERNISMO NO BRASIL (TERCEIRA FASE)
Na terceira fase do modernismo - também chamada de “Geração de 45”, os escritores possuíam uma atitude mais formal, em oposição ao espírito radical, contestador e de liberdade desenvolvido na Semana de 1922.

# Características
As principais características da terceira geração modernista são: academicismo; retorno ao passado; oposição à liberdade formal; experimentações artísticas (ficção experimental); realismo fantástico (contos fantásticos); retorno à forma poética (valorização da métrica e da rima); influência do Parnasianismo e Simbolismo; inovações linguísticas e metalinguagem; regionalismo universal; temática social e humana; linguagem mais objetiva.

O texto abaixo é uma do poema "O relógio", do poeta João Cabral de Melo Neto, da Terceira Fase do Modernismo. Nota-se que cada estrofe é composta por quatro versos (linhas), o que demonstra a preocupação do poeta com o rigor formal.

Ao redor da vida do homem
há certas caixas de vidro,
dentro das quais, como em jaula,
se ouve palpitar um bicho.

Se são jaulas não é certo;
mais perto estão das gaiolas
ao menos, pelo tamanho
e quadradiço de forma.

Uma vezes, tais gaiolas
vão penduradas nos muros;
outras vezes, mais privadas,
vão num bolso, num dos pulsos.

Mas onde esteja: a gaiola
será de pássaro ou pássara:
é alada a palpitação,
a saltação que ela guarda;

e de pássaro cantor,
não pássaro de plumagem:
pois delas se emite um canto
de uma tal continuidade

que continua cantando
se deixa de ouvi-lo a gente:
como a gente às vezes canta
para sentir-se existente.

# Questões:
1. Nas duas primeiras estrofes, o poeta usa duas metáforas para se referir ao "relógio": "jaula" e "gaiola". Isso ocorre porque essas duas palavras possuem ideia de
a) conexão
b) prisão
c) ciclo
d) vida
RESPOSTA

2. Nos versos "se ouve um bicho... / de pássaro cantor", as palavras "bicho" e "pássaro se referem a que parte do relógio?
a) os ponteiros
b) a que produz som
c) as várias engrenagens
d) a pulseira
RESPOSTA
 
3. O que podemos interpretar nos versos "a gente às vezes canta / para sentir-se existente"?
a) às vezes o homem tenta se expressar simplesmente para sentir que está vivo
b) o poeta procurar destacar o fato de sempre pensar em sobrevir ao tempo
RESPOSTA

4. Qual o nível de linguagem predominante neste poema?
a) informal
b) coloquial
c) culto
d) cotidiano
RESPOSTA

5. Considerando a rigidez da estrutura do poema (estrofes e versos) e pelo emprego fiel da pontuação, podemos afirmar que o poeta faz uso de
a) versos livres
b) versos padrões
RESPOSTA

6. No verso "se deixa de ouvi-lo a gente" (última estrofe), o pronome "lo" se refere a qual palavra expressa anteriormente?
a) bolso
b) homem
c) pássaro
d) bicho
RESPOSTA
 
7. No verso "pois delas se emite um canto" (penúltima estrofe), a conjunção "pois" indica ideia de
a) oposição
b) conclusão
c) explicação
d) adição
RESPOSTA
 
8. No verso "Como a gente às vezes canta" (último verso), a conjunção "como" indica a ideia de
a) causa
b) comparação
c) condição
d) conformidade

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Aula/atividade sobre Literatura do Modernismo no Brasil



# Assunto:  "Modernismo no Brasil"

# O que foi o "Modernismo"?
O Modernismo é um movimento artístico que representa a inovação e a ruptura aos padrões (ao ultrapassado). Na literatura, os artistas modernistas propuseram dar liberdade às palavras.

# Como foi o "Modernismo no Brasil"?
A escola literária denominada Modernismo teve início no Brasil em 1922 com a Semana de Arte Moderna realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Nesse evento, muitos artistas apresentaram obras elaboradas em uma nova linguagem, ligada às correntes europeias como: Cubismo, Surrealismo, Impressionismo etc. A proposta dos artistas era romper com o tradicionalismo, com um fazer literário que não considerava os elementos do Brasil.

Leia o poema abaixo de Oswald de Andrade, poeta 1ª fase do Modernismo no Brasil:

"Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português."

1. A que fato da história do Brasil o 1º verso se refere?
a) Independência do Brasil
b) Descobrimento do Brasil
c) Proclamação da República
d) Inconfidência Mineira

2. No 3º verso, a palavra "vestir" possui um sentido figurado. Qual seria o significado de "vestir" na poesia?
a) o índio colonizou o português
b) o índio apenas vestiu as roupas do europeu
c) o portugueses impuseram sua cultura aos índios
d) os portugueses salvaram os índios

3. No verso "Fosse uma manhã de sol", o poeta propõe uma inversão histórica. Qual seria essa inversão?
a) o português teria conquistado toda a América
b) o índio teria imposto sua cultura aos portugueses

4. O Modernismo é um movimento artístico que representa a inovação e a ruptura aos padrões. O verso "Que pena" é um exemplo de ruptura aos padrões porque usa a linguagem
a) formal
b) informal

5. Os artistas modernistas propuseram dar liberdade às palavras. Quais características no poema "Erro de Português" seguem esse conceito de "liberdade"
a) versos livres e com tamanhos diferentes; falta de pontuação
b) versos padrões e com tamanhos iguais; rigidez no emprego da pontuação

6. (ENEM 2006) O primitivismo observável no poema acima, de Oswald de Andrade, caracteriza de forma marcante
a) o regionalismo do Nordeste.
b) o concretismo paulista.
c) a poesia Pau-Brasil.
d) o simbolismo pré-modernista.

7. De acordo com o sentido do poema, entende-se que o título
a) condena a empreitada de colonização e a falta de pudor dos indígenas.
b) sugere a ignorância dos nativos do Brasil, pois desconheciam o português.
c) ironiza a situação de descoberta do Brasil e os costumes portugueses.
d) enaltece a institucionalização dos costumes europeus no Brasil.

8. Nos versos "O índio tinha despido o português", há um desvio em relação à gramática. Como seria a forma adequada?
a) O índio havia despido o português
b) O índio tinha desnudo o português

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terça-feira, 28 de abril de 2020

Atividade sobre Modernismo - "Cidadezinha qualquer", de Carlos Drummond de Andrade



=> O melhor momento da poesia brasileira aconteceu na segunda fase do modernismo. Ela se caracteriza pela abrangência temática em virtude da racionalidade e questionamentos que norteavam o espírito dessa geração. Esse momento ficou conhecido com a Poesia de 30.

Leia o poema abaixo, de Carlos Drummond de Andrade, poeta da 2ª fase do Modernismo no Brasil:

CIDADEZINHA QUALQUER

Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.

Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.

Questões:
1. Qual é o assunto do poema?
a) a vida pacata numa cidadezinha de interior.
b) a qualidade fantástica de uma cidade especial.

2. O que o título do poema nos permite interpretar?
a) que a cidade descrita no poema é um exemplo pouco comum das existentes no interior do Brasil.
b) que várias cidades do interior do país encaixam-se na descrição feita pelo poeta.

3. Ninguém tem pressa na cidadezinha. Que palavra é usada para exprimir essa ideia?
a) a palavra “devagar”
b) a palavra "besta"
c) a palavra "burro"
d) a palavra "eta"

4. O autor do poema é Carlos Drummond de Andrade. E quem é o eu lírico?
a) é alguém que nunca passou por uma cidadezinha do interior.
b) é alguém que vive em uma cidadezinha do interior.

5. Em que verso há um exemplo da figura de linguagem "personificação"? Personificação consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais, sentimentos ou ações próprias dos seres humanos.
a) "pomar amor cantar."
b) "Um burro vai devagar."
c) “Devagar... as janelas olham.”
d) "Eta vida besta, meu Deus."

6. Leia o poema e assinale a alternativa correta:
a)   O poema denuncia de forma irônica e com uma linguagem sintética a monotonia e o tédio que predominam em pequenas cidades do interior.
b)   O poema mostra com sentimento piedoso o desajuste existencial do homem diante da vida.
c)   Predomina no poema um sentimento de nostalgia do passado, por meio de uma linguagem muito simples e pouco elaborada esteticamente.
d)   O poema retrata de modo triste e melancólico a desventura amorosa do poeta na cidade de Itabira, onde nasceu.

7. De acordo com o poema, assinale a opção correta:
a)   Em "vida besta", o adjetivo expressa a lentidão das pessoas ao se locomoverem.
b)   A palavra "um", diante de "homem", "cachorro", "burro", é um artigo, pois a ideia do autor é a de especificar quantidade.
c)   O uso das reticências indica a falta de palavras que não foram escritas, mas que são facilmente perceptíveis ao leitor.
d)   Com a presença do vocativo no poema, está presente uma das funções da linguagem, que é a fática.

8. Todas as características modernistas citadas abaixo podem ser identificadas no poema de Drummond, exceto:
a)   Reaproveitamento do popular e do coloquial, uso de uma linguagem simples, fácil, próxima da expressão oral.
b)   Concepção do poético como um texto aberto, um discurso que oferece multiplicidade de sentidos e interpretações.
c)   Crítica ao mundo rural, ao universo primitivo, distante do progresso, da civilização mecânica e industrial.
d)   Interesse pelo homem comum, ordem social e pela vida cotidiana.