Mostrando postagens com marcador Relato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relato. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Proposta de produção textual sobre o gênero textual "Relato pessoal"



HORA DE ESCREVER

Como você sabe, na mostra de cinema que a classe realizará no final da unidade serão exibidos vídeos documentários baseados em relatos de memória. Os textos que você produzirá neste capítulo poderão ser o ponto de partida para a filmagem do documentário e, no dia do evento, divulgados em murais ou reunidos em uma publicação a ser distribuída aos convidados.
Combine com o professor a melhor forma de realizar as propostas de produção de relatos de memória a seguir e o formato mais adequado para a divulgação dos textos.

Além de produzir os relatos, registre, em um diário de campo, o processo de organização da mostra e da preparação do documentário. Anote as datas em que cada atividade ocorrer, identifique quem são os participantes, mencione os objetivos em vista e outras informações que considerar relevantes.

1. Relembre um fato vivido por você, em qualquer fase de sua vida, no qual uma pessoa com quem teve contato lhe ensinou algo importante. Conte resumidamente esse fato na forma de um relato pessoal de memória. Você pode escolher para seu relato uma das opções de título a seguir ou outra.
- Aprendi com minha mãe/meu pai
- Aprendi com minha avó/meu avô
- Aprendi com minha irmã/meu irmão
- Aprendi com uma grande amiga/um grande amigo
- Aprendi com uma professora/um professor

2. Você vai ler, a seguir, o poema "Infância", de Carlos Drummond de Andrade. Depois, tomando o texto de Drummond como referência, faça um relato de memória, em verso ou em prosa, sobre a sua própria infância.

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

3. Você vai ler, a seguir, um trecho de um boletim de ocorrência no qual é relatado um fato em que ao menos três pessoas estavam envolvidas. Coloque-se no lugar de uma das pessoas e faça um relato do episódio, contando-o do ponto de vista dessa personagem.

Declara o depoente que vinha passando na rua 06 quando viu o acusado pulando o muro de uma residência, foi quando então resolveu parar e indagar a situação; que na hora o acusado respondeu que a residência era sua e que estava fazendo sua mudança; o depoente achando estranho que o proprietário da residência estivesse pulando o muro resolveu então chamar alguém de dentro da casa para obter maiores informações, foi quando então uma senhora saiu de dentro da residência, declarou que aquela residência era de sua propriedade; que declara o depoente então que perguntou à senhora se esta não estava sentindo falta de alguns objetos, foi então que a senhora deu por falta de algumas lâmpadas, de algumas roupas que estavam de molho na pia, de algumas cadeiras do tipo "macarrão" e de alguns calçados; declara o depoente que esses objetos estavam do lado de fora do muro e foram encontrados juntamente com o acusado quando foi abordado; que declara o depoente que depois disto apresentou o acusado na delegacia de polícia e apresentou somente as cadeiras do tipo "macarrão", porque o restante dos objetos estavam todos misturados com a roupa molhada e que esses objetos foram reconhecidos pela vítima.
(Disponível em: http://www.jusbrasil.com.br/diarios/96038356/djpa-20-07-2015-pg-542. Acesso em: 10/10/2015.)

Fonte: Português Contemporâneo: Diálogo, Reflexão e Uso

Atividade sobre "Relato de Memória" a partir de um texto de William Bonner



Leia o relato a seguir, de William Bonner.

Macambúzio

Eu tinha seis anos e uma timidez paralisante. Morava no Tatuapé e era alfabetizado na Penha, na zona leste de São Paulo. Ia e voltava num ônibus escolar, daqueles que tinham uma porta só, na frente, ao lado do motor barulhento. Não os vejo mais nas ruas. Foram fracionados em vans coreanas.

Num trajeto de ida, eu já estava num banco, quieto como uma ostra, quando entrou no ônibus um garoto branquinho e sardento, do meu tamanho. Sentou-se ao meu lado e começou a tagarelar. Contou uma piada e eu sorri. Contou outra, sorri de novo. Contou uma terceira piada que eu nem ouvi, enquanto revirava a memória, à procura de algo engraçado para retribuir.

Ele terminou a terceira história e eu emendei, orgulhoso, o que me ocorreu de mais hilariante. Tinha ouvido de minha irmã mais velha:

- Meu amor, minha vida, minha privada entupida!

O garoto ergueu as sobrancelhas, arregalou os olhos e levou uma das mãos à boca. Ele, escandalizado. Eu, petrificado. O ronco do ônibus, amplificado, ensurdecedor.

- Eu vou contar para a Diretora que você disse isso!

Entrei em pânico. Ele notou.

- Se você não me der uma bala eu vou contar para a Diretora! - ameaçou.

A chantagem foi enfática e imediata. Eu não tinha a bala. Nem o dinheiro. Prometi entregar o produto extorquido no dia seguinte. E cumpri. Fiz isso mais vezes, nos dois ou três dias que vieram depois.

Mas, em casa, à noite, aos olhos de meu pai, minha introspecção tornou-se um mistério que nem a timidez explicava. Eu não contei nada, constrangido com a barbaridade que tinha proferido a um colega. E das consequências desastrosas que aquilo teria se chegasse aos ouvidos da Diretora. Meu pai:

- Cuco (é como me chama), você anda meio macambúzio (é como se refere ao sentimento de tristeza). O que aconteceu? Por vergonha, tentei disfarçar. Mas ele insistiu e eu contei. Foi a primeira vez na vida em que experimentei a sensação física de "botar os demônios pra fora". No dia seguinte, quando o ônibus da escola se aproximou da casa do menino chantageador, não me vieram a taquicardia, a angústia. Ao me estender a mão, em cobrança da bala extorquida, ele ouviu meu primeiro discurso de improviso. Duas frases, apenas:

- Meu pai me disse que hoje não tem bala. E que eu e você vamos contar tudo isso para a Diretora.

A extorsão acabou. E começou um novo ciclo de minha infância. Todos os que ouviram essa história, nos últimos 40 anos, dividem a perplexidade entre minha ingenuidade e a precocidade do menino chantagista.

Para mim, hoje, pai de três crianças, o mais relevante ainda é o olhar de meu pai.
(William Bonner. In: Luís Colombini. Aprendi com meu pai. São Paulo: Saraiva. p. 235.)

1. O texto lido é o relato de um episódio vivido pelo narrador.
a. Em que fase da vida do narrador o episódio ocorreu?

b. Em que cidade ele aconteceu?

c. Onde se passaram os eventos que fizeram parte do episódio?

2. Releia estes trechos do texto:

I. "Morava no Tatuapé, [...] Ia e voltava num ônibus escolar"
II. "Não os vejo mais nas ruas."
III. "Contou uma piada e eu sorri."
IV. "eu emendei, ogulhoso, o que me ocorreu de mais hilariante. Tinha ouvido de minha irmã mais velha"
V. "Eu vou contar para a Diretora"
VI. "Consequências desastrosas que aquilo teria se chegasse aos ouvidos da Diretora"

Indique, em seu caderno, o trecho em que a(s) forma(s) verbal(is) destacada(s) se refere(m):

a. a uma ação passada, ocorrida antes de outra, também passada;
b. a ações começadas e terminadas pontualmente no passado;
c. a uma ação futura;
d. a uma ação que depende do cumprimento de uma condição;
e. a uma ação no presente;
f. a ações passadas que ocorreram durante um período mais longo de tempo.

3. Na fala do pai do narrador que é reproduzida no relato, há dois trechos que estão entre parênteses. Veja:

"- Cuco (é como me chama), você anda meio macambúzio (é como se refere ao sentimento de tristeza). O que aconteceu?"

a. Quais formas verbais indicam que esses trechos estão no presente, em relação ao narrador?

b. Qual a função desses comentários do narrador, no relato?

c. Levante hipóteses: Por que essas afirmações se referem ao presente e não ao passado?

4. O relato em estudo foi escrito em uma linguagem de acordo com a norma-padrão, mas, em alguns momentos, o narrador procura se aproximar do interlocutor, lançando mão de determinados recursos. Identifique, nos trechos abaixo, a estratégia utilizada pelo autor para se aproximar de seus leitores.
a. "Ia e voltava num ônibus escolar, daqueles que tinham uma porta só, na frente, ao lado do motor barulhento."

b. "eu já estava num banco, quieto como uma ostra"

c. "começou a tagarelar"

5. Releia este trecho:

Foi a primeira vez na vida em que experimentei a sensação física de "botar os demônios pra fora".

Levante hipóteses: Por que a expressão "botar os demônios pra fora" está entre aspas?

6. O penúltimo parágrafo do texto se inicia com a afirmação "A extorsão acabou". Discuta com os colegas e o professor e levante hipóteses: O que fez com que a chantagem tivesse fim?

7. O texto lido foi extraído de um livro intitulado Aprendi com meu pai. Discuta com os colegas e o professor: O que o narrador desse relato aprendeu com o pai?


Fonte: Português Contemporâneo: Diálogo, Reflexão e Uso

terça-feira, 1 de junho de 2021

Atividade sobre texto descritivo a partir de "Relato de um náufrago", de Gabriel Garcia Márquez



O texto que segue é um fragmento do livro "Relato de um Náufrago", de Gabriel Garcia Marquez:

EU ERA UM MORTO

Não me lembro do amanhecer do sexto dia. Tenho uma ideia nebulosa de que, durante toda a manhã, fiquei prostrado no fundo da balsa, entre a vida e a morte. Nesses momentos, pensava em minha família e a via tal como me contaram agora que esteve durante os dias do meu desaparecimento. Não fiquei surpreso com a notícia de que tinham me prestado homenagens fúnebres. Naquela sexta manhã de solidão no mar, pensei que tudo isso estava acontecendo.

Sabia que haviam comunicado à minha família o meu desaparecimento. Como os aviões não voltaram, sabia que tinham desistido da busca e que me haviam declarado morto.
Nada disso era errado, até certo ponto.

Em todos os momentos, tratei de me defender. Encontrei sempre um meio de me defender. Encontrei sempre um meio de sobreviver, um ponto de apoio, por insignificante que fosse, para continuar esperando. No sexto dia, porém, já que não esperava mais nada. Eu era um morto na balsa. 

Á tarde, pensando que logo seriam cinco horas e os tubarões voltariam, fiz um desesperado esforço para me levantar e me amarrar à borda. Em Cartagena, há dois anos, vi na praia os restos de um homem destroçado por tubarão. Não queria morrer assim. Não queria ser repartido em pedaços entre um montão de animais insaciáveis.

Eram quase cinco horas. Pontuais, os tubarões estavam ali, rodando a balsa. Levantei-me penosamente para desatar os cabos do estrado.

A tarde era fresca. O mar, tranqüilo. Senti-me ligeiramente fortalecido. Subitamente, vi outra vez as sete gaivotas do dia anterior e essa visão infundiu em mim renovados desejos de viver.
Nesse instante teria comido qualquer coisa. A fome me incomodava. Mas o pior era a garganta e a dor nas mandíbulas, endurecidas pela falta de exercício. Precisava mastigar qualquer coisa. Tentei arrancar tiras de borrachas dos sapatos, mas não tinha com que cortá-las. Foi então que lembrei dos cartões da loja de Mobile.

Estavam num dos bolsos da calça, quase completamente desfeitos pela umidade. Rasguei-os, levei-os à boca e comecei a mastigar. Foi um milagre: a garganta se aliviou um pouco e a boca se encheu de saliva. Lentamente continuei mastigando, como se aquilo fosse chiclete. 

[...] Pensava continuar mastigando os cartões indefinidamente para aliviar a dor das mandíbulas e até achei que seria desperdício jogá-los no mar. Senti descer até o estômago a minúscula papa de papelão moído e desde esse instante tive a sensação de que me salvaria, de que não seria destroçado pelos tubarões. [...]

Afinal, amanheceu o meu sétimo dia no mar. Não sei por que estava certo de que esse não seria o ultimo. O mar estava tranqüilo e nublado, e quando o sol saiu, mais ou menos às oito da manhã, eu me sentia reconfortado pelo bom sono da noite. Contra o céu cinza e baixo passaram sobre a balsa as sete gaivotas. 

Dois dias antes eu sentira uma grande alegria vendo as sete gaivotas. Mas quando as vi pela terceira vez, depois de tê-las visto durante dois dias consecutivos, senti o terror renascer. “são sete gaivotas perdidas”, pensei, com desespero. Todo marinheiro sabe que, às vezes, um bando de gaivotas se perde no mar e voa sem direção, durante vários dias, até encontrar e seguir um barco que lhes indique a direção do porto. Talvez aquelas gaivotas que vira durante três dias fossem as mesmas todos os dias, perdidas no mar. Isso significa que eu me distanciava cada vez mais da terra.
(Gabriel Garcia Márquez, Relato de um náufrago. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 1970. p. 70-3.)

1. Além de narrativo, o relato pessoal pode ser descritivo, com a descrição do local, personagens e objetos. A partir do texto lido, qual das opções abaixo predomina o texto descritivo
a) "Não fiquei surpreso com a notícia de que tinham me prestado homenagens fúnebres"
b) "A tarde era fresca. O mar, tranqüilo"
c) "Tentei arrancar tiras de borrachas dos sapatos, mas não tinha com que cortá-las"
d) "Isso significa que eu me distanciava cada vez mais da terra"

2. No trecho lido, o marinheiro relata suas experiências, como náufrago, numa balsa à deriva no mar. A que dias de sobrevivência no mar elas se referem?
a) ao sexto dia
b) ao sétimo dia
c) ao sexto e sétimo dias
d) ao quinto e sexto dias
3. Quais as duas coisas que mais atormentavam o náufrago?
a) a saudade e a sede
b) o mar agitado e a solidão
c) os tubarões e a fome.
d) a solidão e a fome
4.  Releia o 4º parágrafo do texto. Com base nele é correto dizer que esse texto é 
a) exclusivamente narrativo
b) exclusivamente descritivo
c) narrativo e utiliza a técnica de descrição
d) dissertativo com técnicas de descrição

5. 5. No trecho "Tentei arrancar tiras de borrachas dos sapatos, mas não tinha com que cortá-las", a conjunção "mas" expressa
a) oposição
b) explicação
c) adição
d) conclusão

domingo, 12 de abril de 2015

Atividade sobre crônica - relato de viagem (Carta de Pero Vaz de Caminha)



Leia abaixo um trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha e responsa às questões que seguem:

Senhor,
Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa.
Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos – terra que nos parecia muito extensa.
Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá.
Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. [...]
E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe. Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.
E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro – o que d’Ela receberei em muita mercê.
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio
de 1500.

1. Qual é o objetivo comunicativo desse texto?
A) Contar uma história.
B) Dar uma informação.
C) Fazer um relato.
D) Divulgar um lugar.
E) Ensinar um procedimento.
RESPOSTA

2. Em relação à descrição do lugar, o narrador desse texto demonstra um sentimento de
A) contemplação.
B) desprezo.
C) esperança.
D) ironia.
E) preocupação.
RESPOSTA

3. Nesse texto, qual é a função da linguagem predominante?
A) Apelativa, porque o narrador tenta influenciar o receptor.
B) Emotiva, porque o narrador está em destaque.
C) Fática, porque chamar a atenção do leitor.
D) Metalinguística, porque o está centrado na própria linguagem.
E) Referencial, porque o narrador tem como foco o assunto do texto.
RESPOSTA
 
4. O trecho desse texto que revela uma opinião do narrador em relação à Ilha de Vera Cruz é:
A) “porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos”. (ℓ. 8)
B) “Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”. (ℓ. 13-14)
C) “E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi.”. (ℓ. 19)
D) “Porque o desejo que tinha de Vos tudo dizer, mo fez pôr assim pelo miúdo.”. (ℓ. 20-21)
E) “tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for”. (ℓ. 22-23)
RESPOSTA
 
5. A palavra em destaque no trecho “Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar” (ℓ. 15) exprime uma
circunstância de
A) alternância.
B) comparação.
C) oposição.
D) explicação.
E) conclusão..
RESPOSTA
 
6. No trecho “E se a um pouco alonguei, Ela me perdoe.” (ℓ. 19-20), a palavra em destaque refere-se
A) terra.
B) costa.
C) Vossa Alteza.
D) navegação.
E) Ilha de São Tomé.

  Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

domingo, 9 de março de 2014

Atividade sobre “Relato de Viagem” (Saerjinho, 1º ano)




Questões do Saerjinho de Língua Portuguesa a partir de um "relato de viagem"

Leia o texto abaixo:

Capítulo XII
Partimos com o tempo encoberto, mas estável. Não teríamos de nos preocupar nem com calores cansativos nem com chuvas desastrosas. Um tempo próprio para o turismo. O prazer de galopar por um país desconhecido deixava-me de bom humor naquele início de aventura. Sentia toda a felicidade, todo o prazer e liberdade de um excursionista. Começava a gostar da viagem. “Afinal, o que estou arriscando?”, dizia-me. “Viajar por um país dos mais curiosos, escalar uma montanha bastante notável, na pior das hipóteses, descer ao fundo de uma cratera extinta! [...] Quanto à existência de uma galeria que acaba no centro do globo, pura imaginação! Pura impossibilidade! Vou tratar, então, de aproveitar o que a expedição tem de bom sem maiores problemas”. Quando concluí esse raciocínio, já havíamos saído de Reykjavik. Hans caminhava à frente num passo rápido, igual e constante.
Os dois cavalos carregados com nossas bagagens seguiam-no sem que fosse necessário conduzi-los. Eu e meu tio íamos atrás sem nos sairmos muito mal em nossos animais pequenos, mas vigorosos.
A Islândia é uma das maiores ilhas da Europa. Estende-se por mil e quatrocentas milhas e só conta com sessenta mil habitantes. Os geógrafos dividiram-na em quatro quartos, e tínhamos de atravessar quase obliquamente o que tem o nome de região de quarto do Sudvesterfjordhur. Ao deixarmos Reykjavik, Hans seguira imediatamente para a beira do mar. Atravessávamos magras pastagens que faziam o maior esforço para ser verdes; tinham maior facilidade em ser amarelas. Os cimos rugosos das massas traquíticas apareciam no horizonte entre as brumas do leste, e por momentos algumas placas de neve, concentrando a luz difusa, resplandeciam nas inclinações dos cumes afastados.
Alguns picos, mais ousados, perfuravam as nuvens cinzentas e reapareciam acima dos vapores moventes como escolhos que emergiam em pleno céu. Muitas vezes essas cadeias de rochas áridas lançavam uma de suas pontas ao mar e cortavam as pastagens; mas sempre havia lugar suficiente para passar. Além disso, nossos cavalos escolhiam instintivamente os lugares propícios sem nunca diminuir a marcha. Meu tio nem tinha o consolo de excitar sua montaria com a voz ou com o chicote; não lhe era permitido ser impaciente. Não podia evitar sorrir ao vê-lo tão alto em seu cavalinho, e, como suas pernas compridas roçavam o chão, parecia um centauro de seis pés. [...] (VERNE, Júlio, Viagem ao Centro da Terra)
# Exercícios:
1. Esse fragmento de texto apresenta características de
A) biografia.
B) crônica jornalística.
C) diário.
D) relato de viagem.
E) reportagem.

2. De acordo com esse texto, o narrador estava bem-humorado porque
A) fazia um deboche do tio montado no cavalinho.
B) galopava em terras desconhecidas.
C) montava em um cavalo pequeno.
D) sentia-se bem com o clima ameno e agradável.
E) viajava na companhia de seu tio.

3. A linguagem predominante no trecho “Meu tio nem tinha o consolo de excitar sua montaria com a voz ou com o chicote; não lhe era permitido ser impaciente.” (ℓ. 26-27) é
A) científica.
B) informal.
C) padrão.
D) regional.
E) técnica.

4. O terceiro parágrafo desse texto revela um narrador
A) detalhista.
B) impaciente.
C) melancólico.
D) orgulhoso.
E) solidário.

5. No trecho “Meu tio nem tinha o consolo de excitar sua montaria com a voz ou com o chicote;...” (ℓ. 26-27), o termo destacado estabelece uma relação de
A) adição.
B) alternância.
C) conclusão.
D) explicação.
E) oposição.

# RESPOSTAS (GABARITO)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

terça-feira, 26 de março de 2013

Aula sobre o Gênero Relato "Relato de um náufrago"


O texto que segue é um fragmento do livro "Relato de um Náufrago", de Gabriel Garcia Marquez:

EU ERA UM MORTO

Não me lembro do amanhecer do sexto dia. Tenho uma idéia nebulosa de que, durante toda a manhã, fiquei prostrado no fundo da balsa, entre a vida e a morte. Nesses momentos, pensava em minha família e a via tal como me contaram agora que esteve durante os dias do meu desaparecimento. Não fiquei surpreso com a notícia de que tinham me prestado homenagens fúnebres. Naquela sexta manhã de solidão no mar, pensei que tudo isso estava acontecendo.
Sabia que haviam comunicado à minha família o meu desaparecimento. Como os aviões não voltaram, sabia que tinham desistido da busca e que me haviam declarado morto.
Nada disso era errado, até certo ponto.
Em todos os momentos, tratei de me defender. Encontrei sempre um meio de me defender. Encontrei sempre um meio de sobreviver, um ponto de apoio, por insignificante que fosse, para continuar esperando. No sexto dia, porém, já que não esperava mais nada. Eu era um morto na balsa. 
Á tarde, pensando que logo seriam cinco horas e os tubarões voltariam, fiz um desesperado esforço para me levantar e me amarrar à borda. Em Cartagena, há dois anos, vi na praia os restos de um homem destroçado por tubarão. Não queria morrer assim. Não queria ser repartido em pedaços entre um montão de animais insaciáveis.
Eram quase cinco horas. Pontuais, os tubarões estavam ali, rodando a balsa. Levantei-me penosamente para desatar os cabos do estrado.
A tarde era fresca. O mar, tranqüilo. Senti-me ligeiramente fortalecido. Subitamente, vi outra vez as sete gaivotas do dia anterior e essa visão infundiu em mim renovados desejos de viver.
Nesse instante teria comido qualquer coisa. A fome me incomodava. Mas o pior era a garganta e a dor nas mandíbulas, endurecidas pela falta de exercício. Precisava mastigar qualquer coisa. Tentei arrancar tiras de borrachas dos sapatos, mas não tinha com que cortá-las. Foi então que lembrei dos cartões da loja de Mobile.
Estavam num dos bolsos da calça, quase completamente desfeitos pela umidade. Rasguei-os, levei-os à boca e comecei a mastigar. Foi um milagre: a garganta se aliviou um pouco e a boca se encheu de saliva. Lentamente continuei mastigando, como se aquilo fosse chiclete. 
[...] Pensava continuar mastigando os cartões indefinidamente para aliviar a dor das mandíbulas e até achei que seria desperdício jogá-los no mar. Senti descer até o estômago a minúscula papa de papelão moído e desde esse instante tive a sensação de que me salvaria, de que não seria destroçado pelos tubarões. [...]
Afinal, amanheceu o meu sétimo dia no mar. Não sei por que estava certo de que esse não seria o ultimo. O mar estava tranqüilo e nublado, e quando o sol saiu, mais ou menos às oito da manhã, eu me sentia reconfortado pelo bom sono da noite. Contra o céu cinza e baixo passaram sobre a balsa as sete gaivotas. 
Dois dias antes eu sentira uma grande alegria vendo as sete gaivotas. Mas quando as vi pela terceira vez, depois de tê-las visto durante dois dias consecutivos, senti o terror renascer. “são sete gaivotas perdidas”, pensei, com desespero. Todo marinheiro sabe que, às vezes, um bando de gaivotas se perde no mar e voa sem direção, durante vários dias, até encontrar e seguir um barco que lhes indique a direção do porto. Talvez aquelas gaivotas que vira durante três dias fossem as mesmas todos os dias, perdidas no mar. Isso significa que eu me distanciava cada vez mais da terra.

(Gabriel Garcia Márquez, Relato de um náufrago. 3. ed. Rio de Janeiro: Record, 1970. p. 70-3.)

Exercícios:
1. Nesse fragmento, o marinheiro relata suas experiências, como náufrago, numa balsa à deriva no mar.
a) A que dias de sobrevivência no mar elas se referem?
b) Duas coisas particularmente o atormentavam: os tubarões e a fome. Apesar de não esperar mais nada, o que fez?

2. A visão das sete gaivotas infundia no narrador um desejo de viver.
a) Por que, na sua opinião, as gaivotas lhe davam esperança de vida?
b) No sétimo dia, entretanto, já era a terceira vez que ele a via. Com base em que conhecimento o narrador sentiu o terror renascer?

3. Observe os verbos e os pronomes empregados no texto.
a) Os verbos e pronomes estão em que pessoa?
b) Em que tempo está a maioria dos verbos?

4. Releia o 4º parágrafo do texto. Com base nele é correto dizer que esse texto é exclusivamente narrativo, que ele é exclusivamente descritivo ou que é narrativo e utiliza a técnica de descrição? Justifique sua resposta.

5. Lembre-se de algum episódio de sua infância que lhe tenha ficado na memória. Relate esse episódio, observando as características do relato pessoal.

(CEREJA e MAGALHÃES, Português: Linguagem) Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...