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domingo, 16 de agosto de 2026

Questão do Enem a partir do livro "O Cortiço", de Aluízio de Azevedo

Questão 117 da prova azul do segundo dia do Enem 2011

Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostálgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outras notas, e outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras numa floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em frenesi de amor: música feita de beijos e soluços gostosos; carícia de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo.
AZEVEDO, A. O Cortiço. São Paulo: Ática, 1983 (fragmento).

No romance O Cortiço (1890), de Aluízio Azevedo, as personagens são observadas como elementos coletivos caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem transcrita, o confronto entre brasileiros e portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois
A) destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de personagens portuguesas.
B) exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o do português inexpressivo.
C) mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala o fado português.
D) destaca o sentimentalismo brasileiro, contrário à tristeza dos portugueses.
E) atribui aos brasileiros uma habilidade maior com instrumentos musicais.
 

Comentário da questão
No trecho “Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo” há uma elevação da música brasileira sobre a portuguesa, também corroborada pela visão determinista da época, pois o texto descreve que as canções incitavam nas personagens os ardor, a transformação a partir das músicas e da dança.

# Literatura do Naturalismo (1890)

# Análise de “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo

Determinismo – “o homem é resultado do seu meio social”

Zoomofirzação – personagens caracterizados como animais, agindo por instinto

Coletividade – a exploração, a miséria e a gradação humana


Resumo:

Rio de Janeiro, 1990

João Romão, português, comerciante ganancioso, vai adquirindo terrenos e construindo casinhas aglomeradas (um cortiço).
Bertoleza, escrava, amante

Miranda, barão rico
Estela, esposa
Zulmira, filha

# Questões: 
1. A partir do trecho lido, como o indivíduo foi o influenciado pelo meio? 

2. Explique por que essa reação coletiva é um exemplo de expressa da visão do Naturalismo?

3. Identifique no texto duas metáforas que ilustram o processo de zoomorfização ou de caracterização dos instintos humanos/animais.

4. De que forma o trecho reforça o papel da coletividade e da perda de individualidade como marcas registradas da estrutura de O Cortiço?

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Atividade a partir de trecho do romance "O Cortiço", de Aluísio Azevedo; Questão do ENEM 2011


Leia o trecho do romance "O Cortiço", de Aluísio Azevedo. Uma obra do movimento literário "Naturalismo".

"Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostálgico dos desterrados, iam todos, até mesmo os brasileiros, se concentrando e caindo em tristeza; mas, de repente, o cavaquinho de Porfiro, acompanhado pelo violão do Firmo, romperam vibrantemente com um chorado baiano. Nada mais que os primeiros acordes da música crioula para que o sangue de toda aquela gente despertasse logo, como se alguém lhe fustigasse o corpo com urtigas bravas. E seguiram-se outra notas, e outras, cada vez mais ardentes e mais delirantes. Já não eram dois instrumentos que soavam, eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente, a correrem serpenteando, como cobras numa floresta incendiada; eram ais convulsos, chorados em frenesi de amor: música feita de beijos e soluços gostosos; carícia de fera, carícia de doer, fazendo estalar de gozo." - AZEVEDO, A. O Cortiço . São Paulo: Ática, 1983 (fragmento).

1. (ENEM-2011) No romance O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, as personagens são observadas como elementos coletivos caracterizados por condicionantes de origem social, sexo e etnia. Na passagem transcrita, o confronto entre brasileiros e portugueses revela prevalência do elemento brasileiro, pois
A - destaca o nome de personagens brasileiras e omite o de personagens portuguesas.
B - exalta a força do cenário natural brasileiro e considera o do português inexpressivo.
C - mostra o poder envolvente da música brasileira, que cala o fado português.
D - destaca o sentimentalismo brasileiro, contrário à tristeza dos portugueses.
E - atribui aos brasileiros uma habilidade maior com instrumentos musicais.

2. O romance "O Cortiço" pertence ao movimento literário "Naturalismo" porque expressa
a) a análise crítica dos valores sociais e religiosos.
b) a idealização do indivíduo por meio da subjetividade.
c) o indivíduo como determinado pelo ambiente e pela hereditariedade.
d) a busca pela novidade na linguagem e rompimento com o tradicional.

3. Qual trecho de "O Cortiço" melhor exemplifica a ideia do Naturalismo em revelar a animalização dos personagens, sobretudo, pelos instintos sexuais?"
a) "Abatidos pelo fadinho harmonioso e nostálgico dos desterrados"
b) "iam todos... se concentrando e caindo em tristeza"
c) "romperam vibrantemente com um chorado baiano."
d) "eram lúbricos gemidos e suspiros soltos em torrente"

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Atividade sobre o romance "O Mulato"




Leia o trecho de O Mulato "VII", de Aluísio Azevedo:

"Junho chegou, com as suas manhãs muito claras e muito brasileiras.

É o mês mais bonito do Maranhão. Aparecem os primeiros ventos gerais, doidamente, que nem um bando solto de demônios travessos e brincalhões, que vão em troca percorrer a cidade, assoviando a quem passa, atirando ao ar o chapéu dos transeuntes, virando-lhes do avesso os guarda-sóis abertos. [...]

Manhãs  alegres!  O  céu  varre-se  nesse  dia  como  para  uma  festa,  fica  limpo,  todo azul,  sem  uma  nuvem;  a  natureza  prepara-se,  enfeita-se;  as  árvores  penteiam-se, os  ventos  gerais  catam-lhes  as  folhas  secas  e  sacodem-lhes  a  frondosa  cabeleira verdejante;  asseiam-se  as  estradas,  escova-se  a  grama  dos  prados  e  das  campinas, bate-se a água, que fica mais clara e fresca. E o bando turbulento não para nunca e, sempre  remoinhando,  zumbindo,  cantando lá  vai  por  diante,  dando  piparotes  em  tudo que encontra, acordando as pequeninas plantas, rasteiras e preguiçosas, não deixando dormir  uma  só  flor,  enxotando  dos  ninhos  toda  a  chilradora  república  das  asas.  E  as borboletas, em cardumes multicolores, soltam-se por aqui e por ali, doidejando; e nuvens de abelhas revoam, peralteando, gazeando o trabalho e as lavadeiras [...] brincam ao sol, sobre os lagos, dançando ao som de uma orquestra de cigarras.

A  gente  bem  conformada,  nessas  manhãs,  acorda  lépida,  depois  de  um  sono  bom, completo, bebido de uma vez, como um copo de água fresca. E não resiste ao convite do bando [...] que lhe salta pela janela e lhe invade o quarto, atirando ao chão os papéis da mesa, arrancando os quadros da parede e desfraldando as cortinas, que tremulam no ar em flutuações alegres de bandeira; não resiste – veste-se rindo, cantarolando, e vai para a rua, para o campo, mete uma flor na lapela do fraque, agita a bengala, fala muito, ri, tem vontade de correr e almoça nesse dia com um apetite selvagem.

A madrugada da véspera de São João era dessas."

Questão 1 - O elemento da narrativa que predomina nesse texto é
A) a apresentação das personagens.
B) a descrição do espaço.
C) a passagem do tempo.
D) o clímax da narrativa.
E) o conflito que dá origem à história.

Questão 2 - O trecho desse texto em que o autor atribui características humanas a seres inanimados é:
A) “Junho chegou, com as suas manhãs...”. (ℓ. 1)
B) “É o mês mais bonito do Maranhão.”. (ℓ. 2)
C) “Aparecem os primeiros ventos gerais, doidamente, que nem um bando solto...”. (ℓ. 2-3)
D) “E as borboletas, em cardumes multicolores, soltam-se por aqui e por ali,...”. (ℓ. 13-14)
E) “A gente bem conformada, nessas manhãs, acorda lépida, depois de um sono bom,...”. (ℓ. 17)

Questão 3 - O trecho “... os ventos gerais catam-lhes as folhas secas e sacodem-lhes...” (ℓ. 8) apresenta características da linguagem
A) empregada em artigos de jornais e revistas.
B) encontrada em bulas de remédio.
C) falada exclusivamente em determinada região.
D) usada em épocas passadas.
E) utilizada em encontros de amigos.

Questão 4 - Nesse texto, no trecho “... com um apetite selvagem.” (ℓ. 23), a palavra "selvagem" assume no contexto o sentido de
A) agitado.
B) cruel.
C) intenso.
D) invejável.
E) violento.

Questão 5 - Nesse texto, no trecho “... sempre remoinhando, zumbindo, cantando lá vai por diante,...” (ℓ. 11), o uso das formas verbais "remoinhando", "zumbindo" e "cantando" sugere
A) comparação.
B) continuidade.
C) intensidade.
D) lentidão.
E) tensão.

Questão 6 - Nesse texto, a relação estabelecida entre o vento e o espaço é de
A) aceitação.
B) indiferença.
C) interação.
D) resistência.
E) violência.

Questão 7 - No trecho “... catam-lhes as folhas secas...” (ℓ. 8) o pronome "lhes" refere-se
A) às manhãs.
B) às árvores.
C) aos ventos.
D) às estradas.
E) aos prados.

# RESPOSTAS (GABARITO)

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