segunda-feira, 25 de abril de 2022

Atividades de produção textual com o gênero "poema"



HORA DE ESCREVER

Seguem algumas propostas de produção de poemas. Conversem com o professor e decidam a melhor forma de realizá-las.

1. Leia dois pequenos poemas, o primeiro de Mário Quintana e o segundo de Oswald de Andrade:

Do amoroso esquecimento

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
(Disponível em: http://www.revistabula.com/2329-os-10- melhores-poemas-de-mario-quintana/. Acesso em: 13/2/2015.)

3 de maio

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
as coisas que eu nunca vi
(Disponível em: http://unb.revistaintercambio.net.br/24h/pessoa/ temp/anexo/1/420/748.pdf. Acesso em: 13/2/2015.)

Inspirando-se nesses textos, escreva um pequeno poema, de 3 ou 4 versos, com ou sem rima, sobre um dos temas abaixo ou outro de sua preferência.
- Da penosa saudade
- Do terrível calor
- Aprendi com meu pai/minha mãe
- Descobri com a vida

2. Nem todo poema precisa necessariamente ser construído com métrica fixa e rimas, pois há também versos livres e versos brancos. Construa um poema com versos livres, procedendo assim: pegue uma revista e recorte 15 palavras que lhe deem alguma inspiração; depois sorteie algumas das palavras e reúna-as em versos, combinando-as com outras palavras de sua escolha.

4. Você sabe o que é haicai? É um tipo de poema, de origem japonesa, formado por uma única estrofe de apenas três versos, com aproximadamente 17 sílabas poéticas, e sempre com verbos no presente do indicativo. Tem, em geral, uma temática simples e do cotidiano, quase sempre referente à passagem do tempo ou à natureza. Ao fazer um haicai, é importante que a pessoa se expresse com simplicidade e procure tratar da essência daquilo a que se refere. Leia estes haicais, de Guilherme de Almeida:

Pescaria

Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha.

Romance

E cruzam-se as linhas
no fino tear do destino.
Tuas mãos nas minhas.

O haicai

Lava, escorre, agita
a areia. E enfim, na bateia,
fica uma pepita.
(Disponível em: http://www.releituras.com/guialmeida_menu.asp. Acesso em: 25/5/2015.)

Inspirando-se nos poemas de Guilherme de Almeida, produza um ou mais haicais com os títulos a seguir ou com outros de sua preferência.

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

sábado, 23 de abril de 2022

Atividade sobre "Como fazer um resumo"



Como fazer um resumo

Você viu que os resumos, dependendo do objetivo de quem os escreve, podem ser bastante diferentes uns dos outros. Embora haja diferentes maneiras de fazer um resumo adequado, é importante que alguns procedimentos sejam observados na produção desse texto. Os principais são estes:
- a compreensão global do texto a ser resumido;
- a sumarização, isto é, a sintetização, por meio da seleção de algumas informações e da exclusão de outras;
- a organização das vozes, de modo que fique claro qual é a voz do autor do resumo, qual é a do autor do texto resumido e a(s) voz(es) citadas nele.

Leia o texto abaixo e o resumo feito a partir dele.

Camões e a Máquina do Mundo

    Até o século XVI, a astrologia e astronomia estavam muito próximas e a necessidade de utilizar os astros para navegação levou a observações cada vez mais precisas. Dois foram os grandes sábios portugueses responsáveis pela grande aventura marítima portuguesa: D. João de Castro e Pedro Nunes. D. João de Castro escreveu o tratado da esfera por meio de perguntas e respostas e Pedro Nunes [foi] tradutor do famoso Tractatus de Sphera [...], do astrônomo inglês John Holywood, mais conhecido pelo nome latinizado de Johannes Sacrobosco (1200-1256). Esse livro, utilizado durante muitos séculos nas universidades europeias, saiu direto da universidade para guiar os pilotos portugueses em suas descobertas de mares nunca antes navegados. A ciência de cada época influencia as artes em geral, e foi esse livro a principal fonte científica que auxiliou Luís de Camões a escrever sobre a "Máquina do Mundo", concepção mecanicista grego-ptolomaica do mundo com algumas modificações medievais, descrita principalmente no canto X do poema épico Os Lusíadas - o maior monumento literário da língua portuguesa. [...] A Máquina do Mundo camoniana tem a Terra no centro. Em redor da Terra, em círculos concêntricos, a Lua (Diana, Ísis, Jaci, Afrodite), Mercúrio, Vênus, o Sol (Febo), Marte, Júpiter e Saturno. Envolvendo estes astros, tem o firmamento seguido pelo "Céu Áqueo", ou cristalino, depois a esfera do primeiro Móbil que arrasta consigo todas as outras. [...] A Máquina do Mundo camoniana é apresentada com detalhes rigorosamente científicos e poéticos, em versos decassílabos. [...]
    [...]
    [...] Na obra Os Lusíadas, apesar do rigor com que o poeta descreve o sistema de Ptolomeu, ainda há muito de crenças no poder da astrologia. Da vida de Camões sabemos pouco e são pouquíssimas as pistas deixadas dessa atribulada existência. A data mais provável de seu nascimento é 1524. Camões pensa e escreve conforme os quadros mentais da sua época. Palavras como planeta, estrela, benigna estrela, são utilizadas por ele com conotações astrológicas. [...]
    A cosmogonia de Camões [...], ainda que de estirpe grego-ptolomaica, é também medieval. As esferas giram harmoniosas. No Almagesto, o maior tratado astronômico da Antiguidade, Claudius Ptolemaeus (100-170 d.C.) descreve o seu sistema geocêntrico do mundo, com o sol, a lua e os planetas movendo-se ao redor da Terra. Os Céus são esféricos e os objetos celestes têm movimentos circulares, que é o movimento perfeito apropriado à natureza das coisas divinas.
    [...]
    [...] o maior clássico da literatura portuguesa, Os Lusíadas, tem uma imensidão de saberes que refletem a erudição de Camões em diversas áreas do saber, especificamente da Astronomia, Literatura Clássica, Mitologia e Marinharia. [...] O cosmo de Camões é ptolomaico, porque era esse o modelo ainda adotado pelos navegantes portugueses. O modelo heliocêntrico de Copérnico já era conhecido na época de Camões, mas ainda não tinha sido incorporado pela população e navegantes, que podiam navegar bem com o modelo antigo. Observa-se que Camões conhece muito bem o céu e as estrelas-guias dos navegantes. [...] O céu de Camões tem 11 esferas concêntricas, com a Terra no centro. É o modelo ptolomaico com algumas modificações do Tratado da Esfera, de Pedro Nunes. Analisando alguns poemas de Camões e certas passagens de Os Lusíadas, percebe-se que ele ainda utiliza expressões e pensamentos próprios de uma crença astrológica. [...]
(João da Mata Costa, professor da UFRN. Disponível em: http://www.substantivoplural.com.br/wp-content/uploads/2010/04/ CAM%C3%95ES-E-A-M%C3%81QUINA-DO-MUNDO.pdf. Acesso em: 20/6/2015.)

Resumo:
João da Mata Costa, professor da UFRN, comenta no texto "Camões e a Máquina do Mundo" que, até o século XVI, a astrologia e a astronomia estavam muito próximas e que a necessidade de utilizar os astros para a navegação levou a descobertas cada vez mais precisas. Costa considera que alguns escritos sobre o tema foram fundamentais para as grandes navegações. O professor universitário cita o livro Tractatus de Sphera, do astrônomo inglês John Holywood, traduzido para o português por Pedro Nunes, obra que, segundo o acadêmico, teria sido utilizada para guiar os pilotos portugueses em suas descobertas. Esse mesmo livro, conforme aponta Costa, foi a principal fonte científica que auxiliou Luís de Camões a escrever sobre a "Máquina do Mundo", descrita no canto X do poema épico Os Lusíadas. O professor acredita ser possível perceber a erudição de Camões pelas referências feitas na epopeia Os Lusíadas. Com base em análises de passagens do texto épico, o professor afirma que a Máquina do Mundo camoniana é baseada em uma concepção mecanicista grego-ptolomaica, com algumas modificações medievais: a Terra no centro e, ao seu redor, em círculos concêntricos, o Sol, os demais planetas e satélites. Costa ressalta que o poeta português pensava conforme os quadros mentais de sua época e que, embora o modelo heliocêntrico de Copérnico já fosse conhecido, o modelo antigo ainda prevalecia, uma vez que funcionava bem para guiar os navegantes. Em razão dessas referências encontradas na epopeia, o acadêmico considera Camões um homem conhecedor de saberes de várias áreas, tais como Astronomia, Literatura Clássica, Mitologia e Marinharia.

# Questões:
1. Contraponha o resumo ao texto original.
a. Identifique as informações que foram mantidas e as informações que foram suprimidas.

b. Discuta com o professor e os colegas: Que tipo de informação do texto-fonte não consta no resumo?

2. O resumo apresenta de maneira sucinta o conteúdo do texto original. Para tanto, faz uso de estratégias como:

I. cópia de alguns trechos, com explicitação da voz do autor do texto original;
II. paráfrases (textos que dizem o mesmo que um texto original, porém de outra maneira);
III. supressão de informações detalhadas;
IV. supressão de trechos que expressam opiniões do autor do texto original.

Entre as estratégias citadas, identifique, no caderno, qual(is) foi(ram) utilizada(s) no resumo de cada trecho reproduzido no quadro a seguir.

3. Em resumos, é frequente o uso de certas palavras e expressões para apresentar a voz do autor do texto original. Releia estes trechos do resumo do texto "Camões e a Máquina do Mundo": 

- "o professor afirma que a Máquina do Mundo camoniana tem uma concepção mecanicista grego-ptolomaica"
- "Costa ressalta que o poeta português pensava conforme os quadros mentais de sua época"

a. Nesses trechos, quais formas verbais foram utilizadas para apresentar a voz do autor do texto original?

b. Cite outras formas verbais e expressões utilizadas no resumo com a mesma função.

c. Os termos tem e pensava, destacados nos trechos acima, não foram modificados no resumo. Levante hipóteses: Qual foi a razão desse procedimento?

4. Releia o seguinte trecho do resumo.

O professor universitário cita o livro Tractatus de Sphera, do astrônomo inglês John Holywood, traduzido para o português por Pedro Nunes, obra que, segundo o acadêmico, teria sido utilizada para guiar os pilotos portugueses em suas descobertas. Esse mesmo livro, conforme aponta Costa, foi a principal fonte científica que teria auxiliado Luís de Camões a escrever sobre a "Máquina do Mundo"

Levante hipóteses: Por que o autor do resumo optou por utilizar as formas verbais teria sido utilizada e teria auxiliado, em vez das formas foi utilizada e auxiliou, empregadas no texto original?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.


Atividade sobre figuras de linguagem a partir de um anúncio da "I Bienal do Livro de Brasília"



Leia o anúncio a seguir e responda às questões de 1 a 3.
FONTE: (Veja, nº 2265.) CRÉDITOS: Governo do Distrito Federal

# Questões:
1. Qual é a finalidade do anúncio?

2. A imagem do anúncio apresenta um lugar conhecido da vida política brasileira, mas com uma alteração importante.
a. Que lugar é esse? Qual é a alteração?

b. Que relação tem o enunciado verbal "A literatura vai tomar conta da cidade", em destaque, com a alteração?

3. A parte visual do anúncio foi planejada e construída com base em uma figura de linguagem. Qual é ela? Como essa figura se manifesta no anúncio?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre figuras de linguagem a partir de um poema de Ferreira Gullar



Leia o poema a seguir, de Ferreira Gullar, e responda às questões 1 e 2.

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
(In: Alfredo Bosi, org. Melhores poemas de Ferreira Gullar. 7ª ed. São Paulo: Global, 2004. p. 169.)

# Questões:
1. O eu lírico do poema procura descrever a si mesmo. Para isso, utiliza imagens como: 

- "Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:"

- "Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente."

a. Que figuras de linguagem há nesses versos? Explique como elas ocorrem.

b. Identifique outros versos do poema em que esses mesmos recursos foram empregados.

2. O título do poema é "Traduzir-se". Observe a última estrofe.
a. Em que consiste a tradução mencionada no poema? Discuta com os colegas e o professor.

b. Considerando a resposta do item anterior, responda: Qual é a importância da antítese na construção do poema?

c. Levando em conta a interpretação dada ao poema, identifique as funções da linguagem predominantes nele. Justifique sua resposta.

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Atividade sobre literatura portuguesa a partir de um soneto de Camões



"Retrato de uma jovem" (1485), Domenino Ghirlandaio 
Você vai ler um texto de Luis de Camões, o principal poeta do Classicismo português e um dos grandes escritores da literatura universal. Trata-se de um poema lírico.

Quem vê, Senhora, claro e manifesto
o lindo ser de vossos olhos belos,
se não perder a vista só em vê-los,
já não paga o que deve a vosso gesto.

Este me parecia preço honesto;
mas eu, por de vantagem merecê-los,
dei mais a vida e alma por querê-los,
donde já me não fica mais de resto.

Assi que a vida e alma e esperança
e tudo quanto tenho, tudo é vosso,
e o proveito disso eu só o levo.

Porque é tamanha bem-aventurança
o dar-vos quanto tenho e quanto posso,
que, quanto mais vos pago, mais vos devo.
(Sonetos de Luís de Camões. São Paulo: Ateliê, 2001. p. 62.)

# Questões:
1. Ao retornar da Itália, em 1527, Sá de Miranda passou a divulgar no seu país certas formas poéticas cultivadas pelos humanistas, entre eles Dante e Petrarca. O poeta trouxe um novo tipo de verso, mais flexível que as redondilhas, que, em Portugal, foi chamado de "medida nova".
a. Faça a escansão do primeiro verso dos textos 1 e 2 e depois responda: Qual é a métrica da medida nova?

b. O "soneto italiano" também chegou a Portugal por meio de Sá de Miranda. O texto 2 é um soneto. Observe-o e responda: Quantos versos essa forma poética tem? Como esses versos são dispostos nas estrofes?

c. Com base no boxe "O soneto e as rimas", responda: O soneto em estudo apresenta rimas? Se sim, qual é o esquema de rimas?

2. No soneto lido, o eu lírico fala da amada e da devoção que tem por ela.
a. Aos olhos do eu lírico, quais são as características da amada? Comprove sua resposta com elementos do texto.

b. Para o eu lírico, qual é o pagamento justo pela felicidade de poder contemplá-la?

c. Qual pagamento ele fez?

d. Qual é o sentimento do eu lírico em fazer tal pagamento?

3. No Classicismo, o conceito trovadoresco do amor, no qual a mulher é idealizada e inacessível, foi aprofundado e enriquecido com as concepções filosóficas de Platão. Leia o boxe "Uma perspectiva do amor: o neoplatonismo renascentista" e depois responda:
a. Pode-se dizer que o poema lírico de Camões expressa a visão neoplatônica do amor? Por quê?

b. Releia a última estrofe do poema e, tendo em vista as concepções do neoplatonismo renascentista, explique a ideia presente no verso "... quanto mais vos pago, mais vos devo", que encerra o poema.

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre literatura portuguesa a partir de versos de "Os Lusíadas", de Camões



Você vai ler um texto de Camões, o principal poeta do Classicismo português e um dos grandes escritores da literatura universal. Trata-se de um trecho do canto V de Os lus'adas, poema épico que celebra as glórias portuguesas conquistadas com as grandes navegações oceânicas.

No canto V, o capitão-mor Vasco da Gama narra o momento em que, depois de atravessar por "mares nunca de antes navegados", surge diante dele e de sua esquadra alguma coisa maior que tormenta, com terríveis feições humanas e um tom de voz "horrendo e grosso", que "pareceu sair do mar profundo". Tal figura, disforme e de "grandíssima estatura", lhes "pôs nos corações um grande medo", levando-os a arrepiarem "as carnes e o cabelo". Por se atreverem a navegar em "longos mares", aqueles navegadores ouviram da gigantesca e medonha criatura a profecia de que iriam sofrer "naufrágios, perdições de toda sorte".

Leia o trecho que vem na sequência desse episódio.

[...]
Mais ia por diante o monstro horrendo,
Dizendo nossos Fados, quando, alçado,
Lhe disse eu: "Quem és tu? Que esse estupendo
Corpo, certo, me tem maravilhado!"
A boca e os olhos negros retorcendo
E, dando um espantoso e grande brado,
Me respondeu, com voz pesada e amara,
Como quem da pergunta lhe pesara:

"Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem chamais vós outros Tormentório,
Que nunca a Ptolomeu, Pompónio, Estrabo,
Plínio, e quantos passaram, fui notório.
Aqui toda a Africana costa acabo
Neste meu nunca visto Promontório,
Que pera o Polo Antárctico se estende,
A quem vossa ousadia tanto ofende!

Fui dos filhos aspérrimos da Terra,
Qual Encélado, Egeu e o Centimano;
Chamei-me Adamastor, e fui na guerra
Contra o que vibra os raios de Vulcano;
Não que pusesse serra sobre serra,
Mas, conquistando as ondas do Oceano,
Fui capitão do mar, por onde andava
A armada de Neptuno, que eu buscava.

Amores da alta esposa de Peleu
Me fizeram tomar tamanha empresa.
Todas as Deusas desprezei do Céu,
Só por amar das Águas a Princesa.
Um dia a vi, co as filhas de Nereu,
Sair nua na praia: e logo presa
A vontade senti de tal maneira,
Que inda não sinto cousa que mais queira.

Como fosse impossíbil alcançá-la,
Pola grandeza feia de meu gesto,
Determinei por armas de tomá-la
E a Dóris este caso manifesto.
De medo a Deusa então por mi lhe fala;
Mas ela, cum fermoso riso honesto,
Respondeu: "Qual será o amor bastante
De Ninfa, que sustente o dum Gigante?

"Contudo, por livrarmos o Oceano
De tanta guerra, eu buscarei maneira
Com que, com minha honra, escuse o dano."
Tal resposta me torna a mensageira.
Eu, que cair não pude neste engano
(Que é grande dos amantes a cegueira),
Encheram-me, com grandes abondanças,
O peito de desejos e esperanças.

Já néscio, já da guerra desistindo,
Hũa noite, de Dóris prometida,
Me aparece de longe o gesto lindo
Da branca Thetis, única, despida.
Como doudo corri, de longe, abrindo
Os braços pera aquela que era vida
Deste corpo, e começo os olhos belos
A lhe beijar, as faces e os cabelos.

Oh! Que não sei de nojo como o conte!
Que, crendo ter nos braços quem amava,
Abraçado me achei cum duro monte
De áspero mato e de espessura brava.
Estando cum penedo fronte a fronte,
Que eu polo rosto angélico apertava,
Não fiquei homem, não, mas mudo e quedo
E, junto dum penedo, outro penedo!
[...]
Converte-se-me a carne em terra dura;
Em penedos os ossos se fizeram;
Estes membros, que vês, e esta figura
Por estas longas águas se estenderam.
Enfim, minha grandíssima estatura
Neste remoto Cabo converteram
Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas,
Me anda Thetis cercando destas águas."

Assi contava; e, cum medonho choro,
Súbito de ante os olhos se apartou.
Desfez-se a nuvem negra, e cum sonoro
Bramido muito longe o mar soou.
Eu, levantando as mãos ao santo coro
Dos Anjos, que tão longe nos guiou,
A Deus pedi que removesse os duros
Casos, que Adamastor contou futuros.
(São Paulo: Saraiva, 2010. p. 140-3.)

# Questões:
1. Na composição de "Os lusíadas", elementos históricos misturam-se a elementos míticos, maravilhosos. Com base no trecho do poema épico lido e no boxe "Entre o Atlântico e o Índico", responda:
a. No poema, Adamastor é o mítico gigante com que Vasco da Gama e sua esquadra se deparam no percurso da viagem às Índias. Em termos geográficos, o que é esse gigante? Onde ele se situa?

b. Historicamente, que nomes ele recebeu?

c. Ele se manteve, por muito tempo, desconhecido pelos europeus, mesmo pelos mais célebres geógrafos e naturalistas greco-latinos. Identifique no texto uma passagem que confirme tal afirmação.

2. No texto de Camões, Adamastor é associado aos mitos greco-latinos.
a. Quais são as origens de Adamastor? Comprove sua resposta com versos do texto.

b. Contra quais deuses ele guerreou? Comprove sua resposta com versos do texto.

3. Adamastor, que foi capitão do mar e guerreou contra poderosos deuses, não expõe somente sua força e sua fúria; ele revela também sua fragilidade: seu amor por Thetis.
a. Diante da impossibilidade de conquistar a ninfa, o que Adamastor resolveu fazer?

b. Para conter o gigante, Thetis e sua mãe, Dóris, utilizaram uma estratégia. Qual? Extraia do texto um trecho que confirme sua resposta.

c. Certa noite, de longe, Thetis se mostrou a Adamastor. O que aconteceu nesse encontro?

4. Releia estes versos:

"Neste remoto Cabo converteram
Os Deuses; e, por mais dobradas mágoas,
Me anda Thetis cercando destas águas."

Adamastor sofre as penas pelo seu atrevimento: convertido em cabo, ele tem suas mágoas duplicadas ("dobradas mágoas"). Levante hipóteses: Por que, de acordo com tais versos, seu suplício é dobrado?

5. Na última estrofe do texto em estudo, Vasco da Gama retoma a narração e conta como a presença do gigante Adamastor teve fim. A atitude final de Adamastor consistiu em oferecer resistência à passagem da esquadra de Vasco da Gama? Justifique sua resposta.

6. Camões era cristão e viveu na época da Inquisição, tribunal que reprimia tudo o que considerasse uma ameaça à fé católica. Apesar disso, retomou, como escritor renascentista, a cultura clássica greco-latina e a conciliou com a tradição cristã. Tendo em vista tais informações, responda: Como o cristianismo se manifesta no texto em estudo?

7. O mítico gigante Adamastor, transformado em promontório na epopeia de Camões, representa os perigos dos mares e o medo dos navegadores em meio a águas desconhecidas.
a. Nesse contexto, o que representa o feito de ter ultrapassado os limites conhecidos realizado pelo herói Vasco da Gama?

b. Tendo em vista que, na concepção teocêntrica, Deus é o centro do universo e, na concepção humanista ou antropocêntrica, o ser humano é a medida de todas as coisas, conclua: Esse episódio revela que Camões tem uma concepção de mundo teocêntrica ou antropocêntrica? Justifique sua resposta.

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Atividade sobre o texto teatral a partir da peça "O que os meninos pensam delas?", de Adélia Nicolete



Vamos, agora, conhecer melhor o que é o texto teatral, isto é, o texto escrito para ser encenado.

O que os meninos pensam delas?

A ação se passa na sala de estar de um apartamento de classe média, num dos últimos andares. Um pôster de algum astro de música pop decora uma das paredes. As meninas fazem reverência a ele de vez em quando.
Sábado à tarde. Televisão, revistas espalhadas por todo o ambiente. Refrigerantes, salgadinhos, etc. A cena começa com Carol e Ana Paula acompanhando um clipe internacional de rock na TV, lendo a letra da música em uma revista. As duas cantam, dançam. De repente, Ana Paula emburra e desliga a TV.

CAROL - Eh, animal! Dá aqui esse controle remoto! O que foi agora, Ana Paula?

ANA PAULA - Não se faça de desentendida!

CAROL - Eu tava desafinando tanto assim?...

ANA PAULA - Não! É que eu tô aqui toda amiguinha sua e me lembrei que eu devia estar uma fera com você!

CAROL (liga novamente a TV, mais baixo) - Fera comigo?! Tá louca? O que que eu fiz, Ana Paula?

ANA PAULA - Eu vou embora! (começa a juntar algumas revistas)

CAROL - Como vai embora? Sua mãe viajou! Vai ter que me aguentar o fim de semana in-tei-ri-nho! E eu vou conversar até de madrugada, você não vai conseguir dormir!!! (gargalhada macabra) Porque eu tenho insônia!!!!

ANA PAULA - E a noite tá só começando...

CAROL (Terrorista) - Eu tenho insônia!

ANA PAULA - Para! Que terrorismo! (procura algo nas revistas) Insônia, insônia... Eu tenho a solução. Cadê?
T'aqui: "um copo de leite morno antes de dormir pode ajudar". Pronto. Você mama e dorme.

CAROL - Não adianta copo de leite morno. É mal de família. Só dormimos depois das três.

ANA PAULA - Se ao menos usasse esse tempo pra estudar, garanto que tirava notas melhores.

CAROL - Começou a humilhação. A vingança da CDF! Se eu não fosse sua amiga, Ana Paula, juro que ia ser sua pior inimiga!

ANA PAULA - Amiga! Que amiga?... Contar pro Toninho que eu tava a fim dele!?

CAROL - Ah! É por isso que você tá tão fula da vida?

ANA PAULA - Contou ou não contou?

CAROL - Contei, e daí? Você não tava mesmo a fim do cara?

ANA PAULA - Tava! Mas era segredo, entre mim e você! Cadê? (procura nas revistas) Ah! Essas revistas são a minha salvação! Achei! (beija a revista) Tem aqui uma coisa básica sobre paquera, escuta só: "Quando o menino sabe que a menina tá a fim, a tendência é a relação esfriar". E foi o que aconteceu! O Toninho começou a me evitar!!!

CAROL - Ai, Ana Paula! Só quis ajudar, poxa... O cara também não se decidia! Uma hora dava bola, outra hora, não... Cara indeciso... (vai pegar a pipoca)

ANA PAULA - Eu detesto isso, detesto! Deixa que eu resolvo as minhas coisas do meu jeito!

CAROL (Carol dá de ombros, come pipoca) - Só quis ajudar...

ANA PAULA - Dispenso a sua ajuda! Sempre que eu dou ouvidos pros seus planos eu me ferro. Sempre! Eu não me abro mais com você, Carol! Nunca mais!

CAROL (se desculpando) - Puxa vida, Aninha, também não é pra tanto...

ANA PAULA - Cadê? (procura nas revistas) Onde tá? "Quando uma amiga rompe um segredo, isso, muitas vezes, significa que poderá romper muitos outros. Cuidado!"

CAROL - Ah, é? Então vem cá. (procura também) Tá naquela que tem o Leo di Caprio... (encontra, lê) Escuta essa: "Amigas também erram. Se houve sinceridade por tanto tempo, por que não perdoar um errinho de nada? Relaxe!" (mostra pra Ana) Tá vendo? (oferece pipoca e abraço)

Ana Paula aceita o abraço. Fazem gestos de reconciliação com as mãos.

ANA PAULA - Eu não devia! Não vai demorar muito pra você aprontar outra das suas! É do seu caráter...

CAROL - Enquanto isso...

AS DUAS - Anestesia!

As duas correm e se prostram em frente à TV por um tempo, comem pipoca.
(Adélia Nicolete. O que os meninos pensam delas?. Disponível em: www.encontrosdedramaturgia.com.br/?page_id=599. Acesso em: 14/6/2015.)

# Questões:
1. Considerando o título da obra da qual foi extraído o texto - "O que os meninos pensam delas?" -, levante hipóteses: Qual é, provavelmente, o tema da peça?

2. O texto se inicia com dois parágrafos grafados em letras de tipo diferente - o itálico. Trechos como esse são chamados de rubrica. De acordo com esses parágrafos:
a. Em que lugar a cena acontecerá?

b. Que personagens participarão da cena? Qual é a idade delas? Comprove suas respostas com elementos do texto.

c. Qual é o nível social das personagens? Comprove sua resposta com elementos do texto.

d. Conclua: Qual é o papel da rubrica no início desse texto?

3. A partir do 3º parágrafo, a história começa a ser encenada.
a. Existe um narrador que conta o que acontece e o que as personagens falam?

b. De que modo a história se desenrola?

4. No texto, os diálogos cumprem um papel fundamental. De que modo o autor indica quem está falando?

5. Além da rubrica que introduz a peça, aparecem ao longo do texto outras rubricas, apresentadas sempre entre parênteses. Veja:
- "(começa a juntar algumas revistas)"
- "(gargalhada macabra)"
- "(se desculpando)"

a. Qual dessas rubricas indica ação da personagem ou fato que está acontecendo?

b. Qual indica modo de falar?

c. Qual indica som?

d. Conclua: Qual é o papel dessas rubricas no texto?

6. Carol e Ana Paula estão no apartamento de Carol, passando o fim de semana juntas.
a. Como elas se sentem? Por que se sentem assim?

b. Ana Paula revela estar magoada com Carol. Qual é o motivo da mágoa?

7. Ana Paula e Carol discutem e Ana Paula pega uma revista para fundamentar suas opiniões. 
a. Que tipo de revista você imagina que as personagens leem?

b. O que personagens como Ana Paula e Carol buscam em revistas como essa?

c. Elas parecem acreditar nos conselhos dados pela revista?

8. Terminada a discussão, as meninas se abraçam e depois dizem, juntas: "Anestesia!". Levante hipóteses: O que elas querem dizer com essa palavra, no contexto?

9. Nos textos teatrais, a linguagem das personagens pode variar bastante, de acordo com a época retratada, com o perfil de cada personagem (idade, grau de instrução, origem, etc.), com a situação representada, etc.
a. Como é a linguagem das personagens do texto lido? Caracterize-a.

b. Essa linguagem coincide com a que é usada pelos adolescentes hoje? Por quê?

10. Todo texto é produzido com uma finalidade, levando-se em conta determinados aspectos, como quem produz, quem é o interlocutor, qual é o meio em que vai circular, etc.
Em relação à peça teatral "O que os meninos pensam delas?", responda:
a. Que finalidade ela tem?

b. Que tipo de público ela tem como alvo?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre funções da linguagem a partir de um anúncio da marca de moto Harley-Davidson



Leia este anúncio da marca de moto Harley-Davidson:
FONTE: (Disponível em: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhHe2g0AJZ8nPFymBmamKn6UISESOQZZd1hqDiPHr5ShyrigDjDOcUhcVa1-JJuWfg3SGsJwSXoJTGe3blx_EWo6E2f5CSGMtKsRLyxqwHHkVAJMzoGig78N8aze3yBFCLInm3ARMZ1KGZV/s1600-h/8731.jpg. Acesso em: 13/8/2015.) CRÉDITOS: Loducca22

1. O enunciado principal do anúncio lembra textos de enciclopédia, pois informa sobre determinada palavra.
a. Qual é essa palavra?

b. Qual é o trecho do enunciado que se assemelha a textos de enciclopédia?

c. Tendo em vista essa semelhança, qual função da linguagem predominante se espera que o texto teria? Justifique sua resposta.

2. O trecho "um cara que tava louco pra comprar uma coisa", do enunciado, é compatível com o tom que, em geral, é utilizado em enciclopédias? Justifique sua resposta com elementos do enunciado.

3. Para os fãs do motociclismo, a moto anunciada é um ícone, um mito, e por sua tradição está entre as mais cobiçadas por eles. Seus primeiros modelos foram produzidos para competir em corridas no começo do século XX, mas, com o passar do tempo, ela passou a ser utilizada também nas cidades. No enunciado inferior do anúncio, lê-se:

"Street Rod. Nascida nas pistas. Criada nas ruas."

a. Levante hipóteses: Qual relação se pode estabelecer entre os verbos nascer e criar utilizados nesse enunciado?

b. Que imagem da moto a utilização desses verbos transmite?

4. Levante hipóteses: A informação dada no enunciado principal sobre a origem da palavra mencionada corresponde à realidade? Justifique sua resposta.

5. Considere a parte não verbal do anúncio.
a. Que elementos compõem a imagem que a constitui?

b. Levante hipóteses: Que sentidos essa imagem procura associar ao produto anunciado?

6. Considerando o anúncio no conjunto, responda: 
a. Qual é a sua finalidade principal?

b. Assim, que função da linguagem predomina nesse texto?

7. Tendo em vista as respostas das questões anteriores, conclua:
a. Qual estratégia o anúncio utiliza para tentar atingir seu objetivo?

b. Que imagem essa estratégia ajuda a construir e a associar ao produto anunciado?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre reconhecimento das funções de linguagem (textos variados)



Identifique a função da linguagem ( emotiva, referencial, conativa, poética, fática ou metalinguística) predominante nos textos a seguir.

a. TEXTO 1

Envergo, mas não quebro

Se por acaso pareço
E agora já não padeço
Um mal pedaço na vida
Saiba que minha alegria
Não é normal todavia
Com a dor é dividida
Eu sofro igual todo mundo
Eu apenas não me afundo
Em sofrimento infindo
[...]
(Lenine. Disponível em: http://letras.mus.br/lenine/1979026/. Acesso em: 12/6/2015.)

b. TEXTO 2
FONTE: (Disponível em: https://clinicamoove.files.wordpress.com/2012/04/ciclista.jpg. Acesso em: 12/7/2015.) CRÉDITOS: Leo Burnett Tailor Made/Fiat

c. TEXTO 3

Ortografia

    Costumava-se distinguir entre creação e criação. Exemplo: a creação de um poema, a criação de galinhas. Era limpo e nítido. Nada de confusões. Mas agora que tudo é um, como diziam os clássicos, ficou irremediavelmente perdido o que escrevi, um dia:
    "Deus creou o mundo e o diabo criou o mundo". E agora? Para explicar tudo isso em mais palavras - o que seria um verdadeiro crime - imaginem os circunlóquios que eu teria de fazer... Não faço!
(Mário Quintana. Caderno H. São Paulo: Globo, 2006. p. 245.)

d. TEXTO 4

Por que as teclas do teclado não estão em ordem alfabética?

    A distribuição das teclas nos teclados já despertou a dúvida de muita gente: Por que as letras não estão em ordem alfabética? Qual o critério utilizado?
    Na verdade, a ordem das letras no teclado é apenas uma cópia do padrão da máquina de escrever, criada e patenteada pelo inventor americano Christopher Scholes. Com o intuito de organizar as teclas aproximando os pares de letras mais usados na língua inglesa, Scholes aperfeiçoou a ideia de James Densmore, seu parceiro comercial, e criou o teclado QWERTY, nome dado devido à disposição das primeiras seis teclas.
    A partir daí, o padrão desenvolvido pelo americano se tornou bastante popular em todo o mundo, tendo sido incorporado na grande maioria dos teclados de computadores. No Brasil, cerca de 99% dos teclados estão no padrão QWERTY.
[...]
(Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/curiosidades/por-que-as-teclasteclado-nao-estao-ordem-alfabetica.htm. Acesso em: 12/7/2015.)

e. TEXTO 5

f. TEXTO 6

Amar-amaro

Porque amou por que a!mou
se sabia
p r o i b i d o p a s s e a r s e n t i m e n t o s
ternos ou sodarepsesed
nesse museu do pardo indiferente
me diga: mas por que
amar sofrer talvez como se morre
de varíola voluntária vágula ev
idente?

ah PORQUEAMOU
e se queimou
todo por dentro por fora nos cantos nos
                                        [ecos

lúgubres de você mesm(o,a)
irm(ã,o) retrato espéculo por que amou?
se era para
ou era por
como se entretanto todavia
toda via mas toda vida
é indagação do achado e aguda
                                              [espostejação
da carne do conhecimento, ora veja

permita cavalheir(o,a)
amig(o,a) me revele
este malestar
cantarino escarninho piedoso
este querer consolar sem muita convicção
o que é inconsolável de ofício
a morte é esconsolável consolatrix
                                            [consoadíssima

a vida também
tudo também
mas o amor car(o,a) colega este não
                         [consola nunca de núncaras.
(Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978. p. 180.) 


Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre funções da linguagem a partir da tirinha de Laerte



Leia a tira do cartunista Laerte:
FONTE: (Disponível em: http:// uhull.virgula.uol.com.br/ wp-content/uploads/ 2008/08/tira18.gif. Acesso em: 20/7/15.) CRÉDITOS: Laerte

1. Onomatopeia é um recurso de linguagem que consiste na representação gráfica de um som. ~
a. Identifique a onomatopeia empregada na tira.

b. Qual som essa onomatopeia reproduz?

2. A propósito dos três primeiros quadrinhos, responda:
a. Com qual atividade o homem que aparece na tira está se ocupando?

b. Como está sua expressão facial?

3. Releia as falas do homem: "Eulália, a campainha." / "A campainha, Eulália!!!".
Há, nessas falas, um dado implícito, que só pode ser percebido se considerada a situação de comunicação em que elas ocorrem.
a. Reescreva essas falas, explicitando a intenção do homem.

b. Em relação à polidez, isto é, à cortesia, educação, como você avalia essas falas da tira?

c. O que se espera que a mulher vá fazer quando ela passa ao lado do homem no 3º quadrinho?

4. Observe o 4º quadrinho.
a. O que a mulher faz?

b. O que a fisionomia do homem expressa?

5. Entre as personagens da tira, não houve entendimento. Analise as seguintes afirmações sobre a comunicação entre as personagens. 
I. O homem fica nervoso por causa da surdez da mulher, que não ouve nem a campainha nem a ordem dele e faz algo diferente do que ele pediu.
II. A mulher certamente ouve a campainha e entende a ordem do homem, mas age de maneira a deixar clara sua discordância em relação à atitude dele.
III. A mulher provavelmente não entende o que o homem disse, porque é muito idosa e já não consegue mais se comunicar com eficiência.
IV. A tira reproduz uma realidade machista da nossa sociedade, em que a mulher cumpre as tarefas domésticas, enquanto o homem cuida de seus interesses particulares.

Discuta com o professor e os colegas: Quais afirmações são verdadeiras? Procure justificar seu ponto de vista levando em conta as informações da tira e a relação entre elas e fatos sociais contemporâneos.

6. Conclua: O desentendimento entre as personagens é resultado de desconhecimento da língua e suas regras? Justifique sua resposta. 

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre literatura portuguesa a partir do "Auto da barca do inferno", de Gil Vicente



O texto que você vai ler a seguir é um trecho do "Auto da barca do inferno", de Gil Vicente.

Na cena, há duas barcas, uma comandada pelo Diabo e outra por um Anjo, nas quais serão conduzidos ao destino final aqueles que acabaram de deixar a vida na Terra. No trecho, o Corregedor e o Procurador chegam à barca do inferno.

[...]
Vem um Corregedor, carregado de feitos*, e, chegando à barca do Inferno, com seu processo na mão, diz:
CORREGEDOR Hou da barca!
DIABO Que quereis?
CORREGEDOR Está aqui o senhor juiz!
DIABO Oh amador de perdiz,
quantos feitos que trazeis!
CORREGEDOR No meu ar conhecereis
que sem gostos trago cá.
DIABO Como o direito vai lá?
CORREGEDOR Nestes feitos o vereis.
DIABO Ora, pois, entrai, veremos
que diz aí nesse papel...
CORREGEDOR E aonde vai o batel?
DIABO No Inferno vos poremos.
CORREGEDOR Como? À terra dos demos
há de ir um corregedor?
DIABO Santo descorregedor,
embarcai, e remaremos!
[...]
CORREGEDOR Hou! Videtis qui petatis
Super jure majestatis
tem vosso mando vigor?*
DIABO Quando éreis ouvidor
Nonne accepistis rapina?*
Pois ireis pela bolina
onde nossa mercê for*...
Oh! Que isca esse papel
para um fogo que eu sei!
CORREGEDOR Domine, memento mei!*
DIABO Non est tempus, Bacharel!
Imbarquemini in batel
quia judicastis malitia.*
CORREGEDOR Semper ego justitia
fecit, e bem por nível.*
DIABO E as peitas* dos judeus
que a vossa mulher levava?
CORREGEDOR Isso eu não o tomava,
eram lá percalços seus.
Não são peccatus meus,
peccavit uxore mea.*
DIABO Et vobis quoque cum ea,
não temuisistis Deus.*
A largo modo acquiristis
sanguinis laboratorum,
ignorantispeccatorum.
Ut quid eos non audistis?*
CORREGEDOR Vós, Arrais, nonne legistis
que dar quebra os penedos?
Os direitos estão quedos,
si aliquid tradidistis...*
DIABO Ora, entrai nos negros fados!
Ireis ao lago dos cães
e vereis os escrivães
como estão tão prosperados.
[...]
Estando o Corregedor nesta prática com o Arrais infernal, chegou um Procurador carregado de livros, e diz o Corregedor ao Procurador:
CORREGEDOR Oh Senhor Procurador!
PROCURADOR Beijo-vo-las mãos, Juiz!
Que diz esse Arrais? Que diz?
DIABO Que sereis bom remador.
Entrai, bacharel doutor,
e ireis dando na bomba*.
PROCURADOR E este barqueiro zomba?
Brincais de zombador?
Essa gente que aí está
para onde a levais?
DIABO Para as penas infernais.
PROCURADOR Dix! Não vou eu para lá!
Outro navio está cá
muito melhor assombrado.
DIABO Ora estás bem arrumado!
Entra, infeliz de hora-má!
CORREGEDOR Confessaste-vos, doutor?
PROCURADOR Bacharel sou... Dou-me ao demo!
Não cuidei que era extremo,
nem de morte minha dor.
E vós, senhor Corregedor?
CORREGEDOR Eu muito bem me confessei,
mas tudo quanto roubei
encobri ao confessor...
PROCURADOR Porque, se o não tornais*,
não vos querem absolver,
e é muito mau devolver
depois que o apanhais.
DIABO Pois porque não embarcais?
CORREGEDOR Quia esperamus in Deo.*
DIABO Imbarquemini in barco meo...*
Para que sperastis* mais?
[...]
(São Paulo: Saraiva, 2008. p. 34-8. Col. Clássicos Saraiva.) 

# Questões:
1. As personagens do texto lido são tipos, ou seja, figuras sem profundidade psicológica nas quais estão reunidos os vícios e as virtudes da profissão, da classe ou até do estrato social a que pertencem.
a. Para que o espectador pudesse identificar facilmente a personagem-tipo, esta aparecia em cena acompanhada de elementos distintivos, como objetos ou animais. Quais são os elementos que distinguem as personagens do texto lido?

b. A linguagem também funciona como elemento distintivo e caracterizador de determinados tipos. De que maneira o Corregedor se expressa ao longo do texto?

c. Nas falas do Corregedor, o autor subverte de propósito o léxico e as normas do latim, uma língua que ainda desfrutava, no século XVI, de muito prestígio. Que efeito isso provoca no texto?

d. Conclua: O Corregedor e o Procurador representam profissionais que atuam em que área? Qual é a principal função desse grupo de profissionais?

2. O Corregedor, ao ser recebido pelo Diabo, estranha que seu destino seja a "terra dos demos".
a. Por que, nesse momento, o Corregedor julga-se livre do inferno?

b. Visando escapar da barca infernal, o Corregedor questiona o poder do Diabo. Como ocorre esse questionamento?

3. No Auto da barca do inferno, as almas passam por um julgamento antes de embarcarem em direção ao seu destino final. Nesse julgamento, o Diabo desempenha, simultaneamente, as funções de acusador e de juiz, enquanto as almas defendem a própria causa.
a. O Diabo faz três acusações ao Corregedor. Quais são elas?

b. Na sua opinião, a argumentação que o Corregedor utiliza para se defender confirma ou desmente as acusações do Diabo? Justifique sua resposta.

c. Diante dos argumentos do Corregedor, qual é o veredicto do Diabo?

4. O julgamento das almas, as condenações e o ato da confissão são elementos característicos da concepção de mundo cristã e da religiosidade dominantes na cultura medieval.
a. Nesse contexto, qual é a provável consequência de o Procurador não ter se confessado antes de morrer?

b. O Corregedor, ao confessar-se antes de morrer, não revelou o que roubara durante a vida. O que o levou a proceder assim?

c. O que esse procedimento do Corregedor revela a respeito do caráter dele?

5. O teatro de Gil Vicente se expressa em linguagem poética. É composto em versos, nos quais rimas, ironias, eufemismos, antíteses e neologismos (criação de uma expressão ou de uma palavra nova) constituem recursos para a construção de uma sátira mordaz, focada na crítica aos vícios humanos.
a. No trecho lido, o Diabo se refere ironicamente ao corregedor como "amador de perdiz". Por que ele usa essa expressão?

b. O Diabo chama o Corregedor de "descorregedor". Qual é o significado desse neologismo na cena?

c. Eufemismo é o emprego de uma palavra ou de uma expressão no lugar de outra que é considerada desagradável, com o fim de causar menos impacto, como, por exemplo, o uso de "descansar" no lugar de "morrer". No trecho lido, que eufemismo o Diabo emprega para se referir ao inferno?

d. O teatro de Gil Vicente faz uso das métricas mais utilizadas na poesia medieval. Faça a escansão de alguns versos do trecho lido e identifique o tipo de verso empregado pelo dramaturgo nesse auto.

6. O "Auto da barca do inferno" é um auto de moralidade, ou seja, é uma peça em que a dramatização visa ensinar preceitos morais por meio da crítica aos vícios, hábitos e costumes.
a. Qual é a crítica feita por Gil Vicente na cena lida?

b. Na sua opinião, os problemas denunciados e criticados na cena se limitam à sociedade portuguesa do século XVI ou ainda ocorrem na atualidade? Justifique sua resposta.

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre recursos poéticos a partir do poema "Cais matutino", de Ribeiro Couto



Leia este poema, de Ribeiro Couto:

Cais matutino

Mercado do peixe, mercado da aurora:
Cantigas, apelos, pregões e risadas
À proa dos barcos que chegam de fora.

Cordames e redes dormindo no fundo;
À popa estendidas, as velas molhadas;
Foi noite de chuva nos mares do mundo.

Pureza do largo, pureza da aurora,
Há viscos de sangue no solo da feira.
Se eu tivesse um barco, partiria agora.

O longe que aspiro no vento salgado
Tem gosto de um corpo que cintila e cheira
Para mim sozinho, num mar ignorado.
(In: Ítalo Moriconi, org. Os cem melhores poemas brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 47.)

1. Rico em imagens e aspectos sensoriais, o poema descreve o amanhecer.
a. Que local é descrito no poema?

b. Que palavras são responsáveis pelas sugestões visuais sobre o local?

c. E quais são responsáveis pelas sugestões sonoras?

d. E quais pelas sugestões táteis?

e. E pelas sugestões gustativas?

2. Como o eu lírico (a voz que fala no poema) se sente em relação a tudo a que assiste?
Resposta: O eu lírico se sente com vontade de partir daquele local e ir ao encontro de alguém, talvez a pessoa amada.

3. Observe a estrutura formal do poema.
a. Quantas estrofes ele apresenta?

b. Quantos versos há em cada estrofe? Como se chamam essas estrofes?

c. Faça a divisão dos versos em sílabas poéticas e indique o número dessas sílabas em cada um.

d. Pronuncie em voz alta o verso:
"Mercado do peixe, mercado da aurora:"

Identifique as sílabas pronunciadas com maior intensidade e explique como é construído o ritmo no poema.

e. Como são dispostas as rimas do poema?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

domingo, 10 de abril de 2022

Atividade sobre variedades linguísticas a partir de um anúncio publicitário do Skype



O texto abaixo é a primeira parte de um anúncio publicitário. Leia-o.
FONTE: (Disponível em: http://cargocollective.com/momapropaganda/Maxim-dia-An-ncios-Vintage. Acesso em: 12/2/2015.) CRÉDITOS: Moma Propaganda/Maximídia

1. Responda:
a. Qual parece ser o produto divulgado no anúncio?

b. Qual é a finalidade desse produto?

c. Trata-se de um produto atual ou antigo?

2. Sobre o texto não verbal, levante hipóteses:
a. As imagens parecem antigas ou atuais? Justifique sua resposta.

b. A mulher em destaque na imagem principal está manipulando um aparelho. O que é esse aparelho e qual função ele tem?

c. Na tela que se vê na imagem principal há duas pessoas. Quem são essas pessoas?

d. Na imagem da parte inferior do anúncio, vê-se o mesmo aparelho e, na tela, um homem sorridente, que faz um gesto com a mão. Qual sentido essa imagem acrescenta ao anúncio?

3. No texto verbal do anúncio, foi utilizada uma variedade linguística antiga. Justifique essa afirmação, identificando no texto elementos: 
a. lexicais;

b. ortográficos;

c. sintáticos.

4. Levante hipóteses: A partir de quando é possível que essa campanha publicitária tenha circulado? Justifique sua resposta.

5. Reescreva o enunciado principal do anúncio em uma variedade atual adequada ao contexto publicitário.
Veja a segunda parte do anúncio:
FONTE: Maximídia

6. Responda:
a. Qual é, de fato, o produto divulgado no anúncio?

b. Qual é a relação entre o enunciado "No mundo de hoje tudo envelhece muito rápido" e a primeira parte do anúncio?

7. Conclua: Qual efeito de sentido o anúncio cria ao associar uma linguagem publicitária antiga a um produto atual?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre variedades linguísticas (textos variados)



1. Leia os textos e, com base em quando, por quem e onde foram provavelmente produzidos, relacione, em seu caderno, cada um dos itens a seguir.

Texto 1
Poeta, cantô da rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,

Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.
[...]
(Patativa do Assaré. Cante lá que eu canto cá. Filosofia de um trovador nordestino. 16ª ed. Petrópolis: Vozes, 1978.)

Texto 2
Tão gostoso e saudável para seus filhos! Porque o refrescante e inigualável Guaraná Brahma é feito com o genuíno guaraná natural da impressionante selva amazônica!
(Disponível em: http://brechosdacris.blogspot.com.br/2013/06/jornal-das-mocas.html. Acesso em: 20/5/2015.)

Texto 3
Guaraná Antártica. Todo mundo quer. Só a gente tem.
(Disponível em: http://marquesmarketing.com.br/tag/refrigerante/. Acesso em: 20/5/2015.)

Texto 4
- Neksetá?
- Tokicocê
- Nôndikikocê?
- Trazdocêssô
- Faverdadsô. Oncocetá?
- Eu toonkocetá
- Maonkotô?
- Onkocetássô??? Cetáonkotô!
- Numtotivenusô!
- To-inaí!
[...]
(Disponível em: http://angelorigon.com.br/2014/05/21/ um-apelo-ao-juliano-e-beija-flor/. Acesso em: 14/8/2015.)

Texto 5
- Mas bah! Tá frio viu!
- Tchê, mas aquele minuano de ontem tava de renguear cusco.
- Barbaridade!
(Disponível em: http://andreanunes.blogspot.com.br/ search?q=Mas+bah!+T%C3%A1+frio+viu!. Acesso em: 20/5/2015.)

a. propaganda de guaraná da década de 1950

b. sátira de dois mineiros conversando por celular

c. diálogo tipicamente gaúcho

d. poema de Patativa do Assaré, poeta popular nordestino, de 1978

e. propaganda de guaraná, de 2014

2. Nem sempre as regras da norma-padrão podem ser aplicadas aos usos cotidianos da língua. Todas as construções abaixo seguem as regras da norma-padrão, embora algumas delas possam soar estranhas até mesmo a falantes mais escolarizados. Leia-as.

Alugam-se apartamentos.
Fá-lo-ei se assim quiser.
Vi-a passar por mim ontem.
Prefiro legumes a verduras.

Os brasileiros estamos insatisfeitos.
Houve muitas brigas na sala.
Aprendamos todos os preceitos.
A reforma com cujo plano não concordei foi realizada.

a. Quais construções soam estranhas para você?

b. Discuta com os colegas e o professor: Quais outras construções equivalem às apresentadas?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre variedades linguísticas a partir da canção "Vozes Secas", de Luís Gonzaga



Foto: Rui Rezende/Sambaphoto
Leia os seguintes versos de uma canção de Luís Gonzaga e Zé Dantas.

Vozes da seca

Seu doutô os nordestino têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulista nessa seca do sertão
Mas doutô uma esmola a um homem qui é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pidimo proteção a vosmicê
Home pur nóis escuído para as rédias do pudê
Pois doutô dos vinte estado temos oito sem chovê
Veja bem, quase a metade do Brasil tá sem cumê
Dê serviço a nosso povo, encha os rio de barrage
Dê cumida a preço bom, não esqueça a açudage
Livre assim nóis da ismola, que no fim dessa estiage
Lhe pagamo inté os juru sem gastar nossa corage
Se o doutô fizer assim salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação!
Nunca mais nóis pensa em seca, vai dá tudo nesse chão
Como vê nosso distino mercê tem na vossa mão
(© Universal Music Publishing MGB Brasil Ltda.)

# Questões:
1. Percebemos que há dois interlocutores na canção. Identifique com base nos versos:
a. quem fala;

b. a quem o eu que fala na canção se dirige.

2. Para se referir a seu interlocutor, o eu que fala na canção utiliza, entre outros, os seguintes tratamentos:

seu doutô
vosmicê
mercê

a. Levante hipóteses: A qual expressão de tratamento da norma-padrão equivale a palavra "seu"? Em que casos, em geral, essa expressão é utilizada?

b. Discuta com os colegas e o professor: As expressões "vosmicê" e "mercê" estão relacionadas com qual expressão do português arcaico?

c. Qual expressão de tratamento é utilizada hoje em dia no lugar de "vos-micê" e "mercê"?

d. Observe a evolução histórica simplificada da expressão "Vossa mercê":
Vossa mercê > vosmicê > mercê > você
Que outras palavras da língua estão nessa mesma linha de evolução?

3. O eu que fala na canção não se expressa apenas em seu nome, mas em nome de toda uma população vitimada pela seca. Indique os itens que, conforme o texto, se referem corretamente a características das pessoas que compõem essa população.

- Trata-se de pessoas que não trabalham e esperam que as autoridades públicas resolvam seus problemas por meio de subsídio financeiro.
- Trata-se de pessoas que, embora miseráveis, mantêm seu orgulho pessoal e querem retribuir por meio do trabalho os benefícios que lhes sejam concedidos pelos governantes.
- Trata-se de pessoas trabalhadoras, que, em razão das condições adversas em que se encontram, não conseguem prosperar apenas por meio da disposição que têm para o trabalho.
- Trata-se de pessoas que vivem na miséria e não têm disposição para trabalhar e, assim, beneficiar a si mesmas e ao país.

4. Sabendo que a canção foi criada em 1953, analise e discuta com os colegas e o professor as afirmações abaixo, a fim de verificar se são verdadeiras ou falsas e por quê.

- O fato de muitas palavras da canção terem uma grafia não mais utilizada hoje em dia, isto é, correspondente ao português antigo, indica que ela foi escrita há muito tempo.

- Ainda que tenha sido escrita há mais de sessenta anos, a letra da canção trata de um tema extremamente atual.

- A letra da canção está escrita em uma variedade não padrão do português e ainda hoje muito presente na fala de um grande número de brasileiros.

5. Observe estas ocorrências: os nordestino, os rio, os juru.
a. Elas exemplificam uma regra própria da fala de algumas variedades do português brasileiro. Qual é essa regra?

b. Levante hipóteses: Em "juru", o que explica a troca do "o" pelo "u" na segunda sílaba da palavra?

6. Releia as orações:

"os nordestino têm muita gratidão"
"pidimo proteção a vosmicê"
"nunca mais nóis pensa em seca"

a. Reescreva as orações segundo as regras da norma-padrão escrita.

b. Discuta com os colegas e o professor: Quais são as diferenças entre a forma original e a forma das orações conforme a norma-padrão?

c. Observe a concordância entre o sujeito e o verbo em cada oração. Há uma regra comum para as três? Explique como ela é feita em cada uma.

7. Observe os seguintes pares de ocorrências: por / pur, qui / lhe, esmola / ismola, sem gastar / vai dá.
a. Em cada um dos pares de ocorrências, uma é grafada segundo a norma-padrão. Indique as ocorrências que seguem a norma e reescreva corretamente as que não seguem.

b. Levante hipóteses: O que levou à escrita dessas palavras de uma maneira diferente da prescrita pela norma ortográfica?

8. Por ser letra de canção, o texto em estudo circula principalmente por via oral, isto é, ele é mais cantado e ouvido do que escrito e lido. Com base nesse fato e nas respostas às questões anteriores, levante hipóteses:
a. As grafias e as construções que, no texto, estão em desacordo com a norma-padrão devem ser vistas como um problema? Justifique sua resposta.

b. Por que há oscilações entre ocorrências semelhantes, como por e "pur", "qui" e lhe, esmola e "ismola", gastar e "dá"?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

Atividade sobre Trovadorismo a partir de uma cantiga satírica de D. Pedro



Na cantiga satírica a seguir, D. Pedro, Conde de Portugal, se refere a uma freira que se chamava Mor Martins Camela e a um rabi (líder religioso de comunidade judaica) que tinha o sobrenome Bodalho.

Natura das animalhas
que son dũa semelhança
é de fazeren criança,
mais des que son fodimalhas.
Vej'ora estranho talho
qual nunca cuidei que visse:
que emprenhass' e parisse
a camela do bodalho.

As que son dũa natura
juntan-s' a certas sazões
e fazen sas criações;
mais vejo já criatura
ond'eu non cuidei veê-la;
e poren me maravilho
de bodalho fazer filho,
per natura, na camela.

As que son, per natureza,
corpos dũa parecença
juntan-s' e fazen nacença, -
esto é sa dereiteza:
mais non coidei en mia vida
que camela se juntasse
con bodalh' (e) emprenhasse
(e) demais seer d'el parida.

É próprio dos animais
que da mesma espécie são
fazer filhos: para a função
têm órgãos naturais.
Mas vejo eu um caso raro
o qual não cuidei que visse:
que emprenhasse e que parisse
a camela do bodalho.

Os de idêntica natura
juntam-se em certos momentos
para engendrar seus rebentos;
mais eis que uma criatura
vejo onde não cuidei vê-la
e com tal me maravilho:
Bodalho fazer um filho
naturalmente a camela.

Esses a que a natureza
deu igual conformação
unem-se e nessa união
fazem filhos com justeza.
Mas não vi em minha vida
camela que se juntasse
com bodalho, engravidasse
e dele fosse parida.
(D. Pedro, Conde de Portugal. In: Cantares dos trovadores galego-portugueses, cit., p. 260-1.)

# Questões:
1. Para criticar a relação amorosa da freira com o rabi, o eu lírico faz, ironicamente, um jogo de palavras.
a. Em que consiste esse jogo?

b. Conclua: Na cantiga, as palavras camela e bodalho são empregadas em sentido literal ou figurado?

2. O eu lírico reitera ao longo da cantiga que a camela e o bodalho não são semelhantes por serem de espécies diferentes.
a. Com base na leitura do texto e nas informações dadas sobre a freira e o rabi, responda: Por que eles são considerados de espécies diferentes?

b. O eu lírico sugere que a relação da camela com o bodalho é um desvio da natureza. Que elementos do texto dão sustentação a essa ideia?

3. As cantigas satíricas medievais criticam comportamentos e costumes de personalidades da aristocracia ou de determinados grupos sociais e, ao fazer isso, revelam determinados valores e preconceitos da época.
a. Que críticas são feitas na cantiga de D. Pedro?

b. Que tipo de preconceito a cantiga revela?

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Atividade para reconhecer seis diferentes gêneros textuais



Leia o painel de seis textos a seguir.

Texto 1

Empresas oferecem serviço de arranjo e delivery de flores

    Receber flores em casa não é privilégio dos apaixonados. Quem desembolsar a partir de R$ 100 por mês pode acordar de manhã e dar de cara com um buquê de flores frescas, da estação, escolhidas por um florista.
    Incentivadas pelos próprios clientes, floriculturas passaram a oferecer pacotes de entregas semanais. A fidelidade garante arranjos até 20% mais baratos aos assinantes. A maioria, cerca de 70%, é composta de lojas, hotéis, restaurantes e escritórios. Em ambientes corporativos, o hit é o arranjo de orquídeas (R$ 100, em média).
    Os outros 30% são os clientes residenciais, que formam um nicho bastante particular. As "pessoas físicas", como Vanderlei Marques, 47, da Reserva Floral, gosta de chamá-los, contratam o serviço "porque já gostam de flor e querem a conveniência de não ter de sair para comprar".
[...]
(Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2014/09/1518768-empresasoferecem-servico-de-arranjo-e-delivery-de-flores-veja-9-lojas.shtml. Acesso em: 2/6/2015.)

Texto 2
flor: /ô/ s.f. [...] 1. MORF. BOT. estrutura reprodutiva das angiospermas que, quando completa, é constituída por cálice, corola, androceu (estames) e gineceu (pistilos) e, quando incompleta, deve apresentar, no mínimo, um estame ou um pistilo [...]. 2. p. ext. desig. comum a qualquer planta cultivada como ornamental por suas flores 3. fig. o que há de melhor, mais bonito, mais livre de impurezas, mais nobre [...]
DicionárioHouaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.


Texto 3
FONTE: (Disponível em: http://outros.divulgueconteudo.com/576983-selecao-de-tiras-004. Acesso em: 2/6/2015.) CRÉDITOS: Igor Otoni

Texto 4

A flor e a náusea

[...]
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
(Carlos Drummond de Andrade. Antologia poética. Rio de Janeiro: José Olympio, 1978.)

Texto 5
    Eu nunca recebi flores, e isso me frustra. A maior parte das pessoas vai dizer que é frescura minha, mas me sinto um peixe fora d'água sempre que estou entre outras garotas e percebo que sou a única que nunca ganhou nenhuma. [...].
    Houve um tempo que eu dizia que não gostaria de receber flores, que preferia receber qualquer outra coisa, que dar flores a alguém se resume em perda de tempo e dinheiro. Hoje retiro tudo o que disse. Quero um príncipe encantado de camiseta e calça jeans me esperando no portão com um buquê de rosas na mão e um sorriso no rosto. [...]
(Disponível em: http://holdness.tumblr.com/post/41162192508. Acesso em: 2/6/2015.)

Texto 6
FONTE: (Disponível em: https://blogfante.files. wordpress.com/2009/09/anuncio-1-rvresidenciais.jpg. Acesso em: 2/6/2015.) CRÉDITOS: Aliah Percepção

Todos os textos lidos têm em comum o fato de fazerem alguma referência a flores. Cada um tem, entretanto, uma função e um objetivo específicos; por isso são tão diferentes entre si.

1. Tendo em vista o conhecimento que você tem sobre textos, associe, em seu caderno, os textos lidos às seguintes classificações, levando em conta a função social de cada um. 
a. anúncio publicitário

b. reportagem de jornal

c. poema

d. história em quadrinhos

e. verbete

f. post de blog pessoal

2. Escolha três textos que você tenha classificado corretamente e aponte características desses textos que, na sua opinião, contribuíram para facilitar essa identificação.

Fonte: Português: Linguagens, William Cereja et al.