Mostrando postagens com marcador Romantismo Primeira Geração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Romantismo Primeira Geração. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de março de 2026

Atividade a partir da poesia "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias

 Canção do exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

# Questões:
1. Qual o sentimento que a distância da terra natal provoca no eu lírico (aquele que expressa as palavras na poesia)?

2. Ao se referir à terra natal, o eu lírico apresenta uma imagem realista ou idealizada? Explique.

3. Ao fazer comparações entre os dois lugares (lá e cá), o eu lírico usa elementos políticos, naturais ou econômicos? Cite exemplos.

4. Identifique os versos em que o eu lírico faz um apelo (pedido)?

5. Levante hipóteses: O que significa a palavra "exílio" na poesia "Canção de Exílio"?

6. A poesia lida tem versos em comum com qual outro texto? Transcreva-os.

7. Que características há em comum entre o poema “Canção do Exílio” e o romance “O Guarani”?

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Atividade sobre Romantismo a partir de um poema de Gonçalves Dias



Leia este poema lírico de Gonçalves Dias:

Consolação nas lágrimas

Las lágrimas puras que entonces se vierten
Acaso divierten
En vez de doler.
ZORRILLA

Como é belo à meia-noite
O azul do céu transparente,
Quando a esfera d'alva lua
Vagueia mui docemente,
Quando a terra não ruidosa
Toda se cala dormente,
Quando o mar tranquilo e brando
Na areia chora fremente!

Como é belo este silêncio
Da terra todo harmonia,
Que aos céus a mente arrebata
Cheia de meiga poesia!
Como é bela a luz que brilha
Do mar na viva ardentia!
Este pranto como é doce,
Que entorna a melancolia!

Esta aragem como é branda
Que enruga a face do mar,
Que na terra passa e morre
Sem nas folhas sussurrar!
Os sons d'aéreo instrumento
Quisera agora escutar,
Quisera mágoas pungentes
Neste silêncio olvidar!

O azul do céu, nem da lua
A doce luz refletida,
Nem o mar beijando a praia,
Nem a terra adormecida,
Nem meigos sons, nem perfumes,
Nem a brisa mal sentida,
Nem quanto agrada e deleita,
Nem quanto embeleza a vida;

Nada é melhor que este pranto
Em silêncio gotejado,
Meigo e doce, e pouco e pouco
Do coração despegado;
Não soro de fel, mas santo
Frescor em peito chagado;
Não espremido entre dores, 
Mas quase em prazer coado!

1. Enquanto no Classicismo, no Barroco e no Arcadismo destacava-se o gosto pelo soneto, considerado um tipo refinado de composição poética, no Romantismo, conforme você viu no capítulo anterior, os poetas se interessaram pela exploração de diferentes formas poéticas.
a. No poema de Gonçalves Dias, a métrica empregada é típica das cantigas populares. Faça a escansão dos primeiros versos e identifique a métrica utilizada no poema.

b. Como os versos estão organizados nas estrofes?

c. O esquema de rimas empregado no poema foi bastante utilizado pelos românticos. Qual é esse esquema?

d. A métrica, a rima e o ritmo promovem uma musicalidade que se harmoniza com as imagens. O ritmo é construído pela alternância entre sílabas pronunciadas com maior e menor intensidade. Observe as sílabas acentuadas neste verso:

Co/mo é/ be/lo à/ mei/a/-noi/te
                3ª                     7ª 

A métrica empregada no poema permite outras possibilidades de acentuação. Identifique os esquemas rítmicos dos três versos que vêm depois do verso acima.

2. Conforme você viu no capítulo 1, os poetas românticos, sentindo-se oprimidos pela civilização, voltavam-se para a natureza e, além de retratá-la subjetivamente, buscavam interagir com ela. Releia as três primeiras estrofes do poema.
a. De acordo com os seis primeiros versos de cada uma dessas estrofes, quais são as impressões do eu lírico a respeito da natureza que o cerca? Justifique sua resposta com elementos do texto.

b. Nos dois últimos versos de cada uma dessas estrofes, como o eu lírico relaciona os elementos da natureza com seu estado de alma? Justifique sua resposta com elementos do texto.

c. Ao descrever a natureza, o eu lírico emprega de modo recorrente a prosopopeia. Identifique uma situação de emprego dessa figura de linguagem na primeira estrofe e explique o efeito de sentido que ela produz no texto.

3. Na terceira e na quarta estrofes, são exploradas com mais intensidade as impressões sensoriais do eu lírico diante da natureza.
a. Na descrição da aragem, na terceira estrofe, há o emprego da aliteração (repetição de um mesmo fonema consonantal ou de fonemas consonantais de som aproximado). Que efeito de sentido o emprego da aliteração provoca nessa estrofe?

b. Na quarta estrofe, o eu lírico retrata a interação com vários elementos da natureza. Dos cinco sentidos, quais o eu lírico utiliza diante desse cenário natural? Justifique sua resposta com elementos do texto.

4. Na última estrofe, o eu lírico retrata seu mundo interior.
a. De acordo com essa estrofe, como o eu lírico se sente? Justifique sua resposta com elementos do texto.

b. Para o eu lírico, o pranto é uma manifestação de sofrimento? Justifique sua resposta com elementos do texto.

c. No estado emocional em que se encontra, o eu lírico é confortado pela natureza? Justifique sua resposta com elementos do texto.

5. Gonçalves Dias utilizou como epígrafe de seu poema alguns versos do poeta romântico espanhol José Zorrilla. A epígrafe é uma frase ou uma pequena citação que pode servir como apoio temático a um texto. De que modo o poema "Consolação nas lágrimas" se relaciona à epigrafe?


Fonte: Português Contemporâneo: Diálogo, Reflexão e Uso

domingo, 6 de junho de 2021

Atividade sobre Romantismo a partir do poema "I Juca-Pirama", de Gonçalves Dias



Você vai ler, a seguir, dois trechos do poema épico "I-Juca-Pirama" (em tupi, "O que há de ser morto"), de Gonçalves Dias.
No poema, o último descendente da tribo tupi é feito prisioneiro pelos timbiras e é dado início ao ritual antropofágico. O guerreiro, antes de receber o golpe fatal, inicia seu canto de morte, no qual narra toda a sua bravura e revela que tem um pai cego e doente e pede para ser libertado a fim de cuidar dele. O cacique timbira lhe concede a liberdade, e o guerreiro promete voltar logo após a morte do pai. Quando parte e encontra o pai, o ancião percebe, pelo cheiro das tintas, que o filho fora preso para o sacrifício e decide levá-lo até os timbiras para que o ritual antropofágico fosse cumprido.

VIII
"Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos chorasse?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de vis Aimorés.

"Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz.
Ser das gentes o espectro execrado;
Não encontres amor nas mulheres,
Teus amigos, se amigos tiveres,
Tenham alma inconstante e falaz!
[...]

"Um amigo não tenhas piedoso
Que o teu corpo na terra embalsame,
Pondo em vaso d'argila cuidoso
Arco e frecha e tacape a teus pés!
Sê maldito, e sozinho na terra;
Pois que a tanta vileza chegaste,
Que em presença da morte choraste,
Tu, cobarde, meu filho não és."

IX
Isto dizendo, o miserando velho
A quem Tupã tamanha dor, tal fado
Já nos confins da vida reservara,
Vai com trêmulo pé, com as mãos já frias
Da sua noite escura as densas trevas
Palpando. - Alarma! alarma! - O velho para
O grito que escutou é a voz do filho,
Voz de guerra que ouviu já tantas vezes
Noutra quadra melhor. - Alarma! alarma!
- Esse momento só vale apagar-lhe
Os tão compridos transes, as angústias,
Que o frio coração lhe atormentaram
De guerreiro e de pai: - vale, e de sobra.
Ele que em tanta dor se contivera,
Tomado pelo súbito contraste,
Desfaz-se agora em pranto copioso,
Que o exaurido coração remoça.

A taba se alborota, os golpes descem,
Gritos, imprecações profundas soam,
Emaranhada a multidão braveja,
Revolve-se, enovela-se confusa,
E mais revolta em mor furor se acende.
E os sons dos golpes que incessantes fervem.
Vozes, gemidos, estertor de morte
Vão longe pelas ermas serranias
Da humana tempestade propagando
Quantas vagas de povo enfurecido
Contra um rochedo vivo se quebravam.

Era ele, o Tupi; nem fora justo
Que a fama dos Tupis - o nome, a glória,
Aturado labor de tantos anos,
Derradeiro brasão da raça extinta,
De um jacto e por um só se aniquilasse.
- Basta! clama o chefe dos Timbiras,
- Basta, guerreiro ilustre! assaz lutaste,
E para o sacrifício é mister forças. -

O guerreiro parou, caiu nos braços
Do velho pai, que o cinge contra o peito,
Com lágrimas de júbilo bradando:
"Este, sim, que é meu filho muito amado!
"E pois que o acho enfim, qual sempre o tive,
"Corram livres as lágrimas que choro,
"Estas lágrimas, sim, que não desonram."

1. As estrofes do canto VIII descrevem a reação do ancião tupi diante de seu filho e da tribo dos timbiras.
a. Qual é essa reação? Justifique sua resposta com elementos do texto.

b. Por que o pai reage dessa forma? Justifique sua resposta com elementos do texto.

2. Em outra parte do poema, no canto IV, no início do ritual antropofágico, o guerreiro tupi canta assim seu canto de morte:

"Então, forasteiro,
Cai prisioneiro
De um troço guerreiro
Com quem me encontrei:
O cru dessossego
Do pai fraco e cego,
Enquanto não chego,
Qual seja, - dizei!

Eu era o seu guia
Na noite sombria,
A só alegria
Que Deus lhe deixou:
Em mim se apoiava,
Em mim se firmava,
Em mim descansava,
Que filho lhe sou."

Logo em seguida, ele chora e pede que lhe poupem a vida. De acordo com os versos acima, qual foi o motivo de o guerreiro tupi ter pedido clemência aos timbiras? Justifique sua resposta com elementos do texto.

3. O canto IX retrata a atitude do jovem guerreiro tupi ao ver que o pai não tinha compreendido o motivo de seu retorno.
a. Qual é essa atitude? O que ela revela? Justifique sua resposta com elementos do texto.

b. No final do canto IX, o ancião chora e afirma: "Estas lágrimas, sim, que não desonram". Por que, nesse contexto, tais lágrimas não desonram?

c. Conclua: De acordo com o canto IX, pode-se dizer que o jovem guerreiro será levado ao sacrifício? Justifique sua resposta com elementos do texto.

4. A poesia de Gonçalves Dias expressa um novo ponto de vista a respeito do indígena. Diferentemente de toda a literatura anterior, em que prevalecia a visão que o branco tinha a respeito dos povos nativos, o poeta romântico buscou dar voz ao índio, mostrando-o pela perspectiva dos seus próprios valores e da sua própria cultura. De acordo com o poema em estudo, que valores o indígena associa ao ritual antropofágico?

5. Um dos traços importantes do Romantismo é o nacionalismo e a busca das raízes nacionais. Enquanto na Europa essas raízes foram buscadas na Idade Média, no Brasil, uma nação recém-independente, os primeiros poetas românticos elegeram o índio, a fauna e a flora como elementos fundadores de nossa nacionalidade.
a. No poema de Gonçalves Dias, o herói indígena, como representante de nossas raízes, destaca-se por quais valores e sentimentos?

b. A valorização da figura do índio pelos escritores românticos europeus, por influência de Rousseau, está presente também no Romantismo brasileiro. Identifique no herói do poema "I-Juca-Pirama" elementos relacionados ao mito do bom selvagem.


Fonte: Português Contemporâneo: Diálogo, Reflexão e Uso

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Atividade com a poesia "Canção de Exílio", de Gonçalves Dias




Leia poesia abaixo de Gonçalves, representante da 1ª Geração do Romantismo no Brasil:

Canção do exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

# Questões:
1. O texto acima pertence ao estilo de época do:
a) barroco
b) arcadismo
c) romantismo
d) modernismo

2. A distância da terra natal provoca no eu lírico
a) Tristeza                 
b) Desespero  
c) Saudade      
d) Angústia                                 

3. No poema, o eu lírico compara a terra natal com a terra onde está exilado. Que elementos são utilizados nessa comparação?
a) sociais                     
b) naturais                     
c) econômicos                           
d) políticos

4. Ao se referir à terra natal, o eu lírico apresenta uma imagem
a) Realista                 
b) Racional                     
c) Idealizada                               
d) Imparcial

5. Em qual dos versos abaixo apresenta um apelo do eu lírico
a) “Minha terra tem palmeiras”
b) “Que tais não encontro eu cá”
c) “Não permita Deus que eu morra”
d) “Nosso céu tem mais estrelas”

6. Revela-se no poema um tom de
a) lamento         
b) humor                   
c) ironia                   
d) rancor

7. O que significa a palavra "exílio" na poesia "Canção de Exílio"?
a) sofrimento por estar distante de sua terra natal
b) alegria por lembrar das belezas de sua terra natal
c) indiferença por estar conhecendo um novo país
d) lamento por não ter conhecido atrativos num novo país

8. Gonçalves Dias consolidou o romantismo no Brasil. Sua “Canção do exílio” pode ser considerada tipicamente romântica porque
a) apóia-se nos cânones formais da poesia clássica greco-romana; emprega figuras de ornamento, até com certo exagero; evidencia a musicalidade do verso pelo uso de aliterações.
b) exalta a terra natal; é nostálgica e saudosista; o tema é tratado de modo sentimental, emotivo.
c) utiliza-se do verso livre, como ideal de liberdade criativa; sua linguagem é hermética, erudita; glorifica o canto dos pássaros e a vida selvagem.
d) poesia e música se confundem, como artifício simbólico; a natureza e o tema bucólico são tratados com objetividade; usa com parcimônia as formas pronominais de primeira pessoa.

# Clique aqui e conheça a lista de atividades para cada uma das escola literárias