sábado, 3 de agosto de 2013

Atividades sobre pontuação

Leia o texto a seguir, de Moacyr Scliar, atentando para sua pontuação, e depois responda às  questões de 1 a 8.

Ai, gramática, ai, vida.
[...]
INFÂNCIA: A PERMANENTE EXCLAMAÇÃO
     Nasceu! É um menino! Que grande! E como chora! Claro,  quem não chora não mama! Me dá! É meu!
[...]
A PUBERDADE: A TRAVESSIA (OU O TRAVESSÃO)
[...]
     — O que eu acho, Jorge — não sei se tu também achas —  o que eu acho — porque a gente sempre acha muitas coisas —  o que eu acho — não sei — tu és irmão dela — mas o que eu  estive pensando — pode ser bobagem — mas será que não é de  a gente falar — não, de eu falar com a Alice —
     — Alice tu sabes — tu me conheces — a gente se dá — a 
gente conversa — tudo isto Alice — tanto tempo — eu queria 
te dizer Alice — é difícil — a gente — eu não sei falar direito.
JUVENTUDE — A INTERROGAÇÃO
     Mas quem é que eu sou afinal? E o que é que eu quero? E  o que é que vai ser de mim? 
     E Deus, existe? E Deus cuida da gente? E o anjo da guarda, existe? E o diabo? E por que é que a gente se sente tão mal?
[...]
     Mas por que é que tem pobres e ricos? Por que é que uns têm tudo e outros não têm nada? Por que é que uns têm auto e  outros andam a pé? Por que é que uns vão viajar e outros ficam 
trabalhando?
AS PAUSAS RECEOSAS (RECEOSAS, VÍRGULA, CAUTELOSAS) DO JOVEM ADULTO
     Estamos, meus colegas, todos nós, hoje, aqui, nesta festa de  formatura, nesta festa, que, meus colegas, é não só nossa, colegas, mas também, colegas, de nossos pais, de nossos irmãos, de nossas noivas, enfim, de todos quantos,  nas jornadas, penosas embora, mas confiantes sempre, nos acompanharam, estamos, colegas, cônscios  de nosso dever, para com a família, para com a comunidade, para com esta Faculdade, tão jovem, tão  batalhadora, mas ao mesmo tempo tão, colegas, tão. 
O HOMEM MADURO. NO PONTO.
     Uma cambada de ladrões. Têm de matar.
     Matar. Pena de morte.
     O Jorge também. Cunhado também. Tem de matar. Esquadrão da morte. E ponto final. No meu  filho mando eu. E filho meu estuda o que eu quero. Sai com quem eu quero. 
     Lê o que eu quero. Frequenta os clubes que eu mando.
     Tu ouviste bem, Alice. Não quero discutir mais este assunto. E ponto final.
(UM PARÊNTESE)
(Está bem, Luana, eu pago, só não faz escândalo) 
O FINAL... RETICENTE...
     Sim, o tempo passou... E eu estou feliz... Foi uma vida bem vivida, esta... Aprendi tanta  coisa... Mas das coisas que aprendi... A que mais me dá alegria... É que hoje eu sei tudo... Sobre  pontuação...
(Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar e outras crônicas. Porto Alegre: L&PM, 1995. p. 88-91.)

1. O narrador-personagem associa as fases da vida a sete sinais de pontuação e, por meio deles,  narra a sua história. Na 1ª parte, a infância é associada ao sinal de exclamação. De quem são as  falas e o que a exclamação expressa:
a) no 1º parágrafo?
b) no 2º parágrafo?

2. Na 2ª parte do texto, o narrador associa a adolescência ao travessão, fazendo um trocadilho entre  travessão e travessia. A que tipo de travessia se refere o narrador?
# PROFESSOR DIOGO:

3. Ainda na 2ª parte do texto, o protagonista conversa com um amigo (Jorge) e sua irmã (Alice).
a) De que assunto ele quer tratar com essas pessoas?
b) O que o emprego constante do travessão sugere quanto ao estado emocional do protagonista?

4. A 3ª parte, a da juventude, é associada ao ponto de interrogação. Qual é a relação entre esse sinal de pontuação e essa fase da vida?

5. Na 4ª parte, o protagonista é um jovem adulto, que está terminando a faculdade. O narrador  associa essa fase à vírgula.
a) Observe o emprego da palavra vírgula no título dessa parte. Indique uma palavra ou expressão que tenha um sentido aproximado da palavra vírgula nesse contexto.
b) Qual a intenção do narrador ao empregar a palavra vírgula nesse contexto?
c) No título, o narrador faz um trocadilho, chamando as vírgulas de “pausas receosas” e depois corrigindo para “pausas cautelosas” do jovem adulto. Levando em conta a fase em que se encontra  esse jovem — de fim dos estudos e de iniciação profissional —, por que considera essa fase  “cautelosa”?

6. Na 5ª parte, a maturidade do protagonista é associada ao ponto final.
a) Explique a ambiguidade, isto é, o duplo sentido da frase “No ponto”, do título dessa  parte.
b) Observe a forma como o protagonista expressa suas opiniões e como se posiciona diante do  que acha certo ou errado. Que relação há entre ele dizer “E ponto final” e seu modo de ser  na maturidade?
c) Os nomes de Alice e Jorge, já mencionados na 2ª parte da vida do protagonista, reaparecem  na 5ª parte. Qual é o provável parentesco existente entre o protagonista e essas outras personagens?

7. Como você sabe, uma das funções dos parênteses é indicar uma espécie de desvio do texto central  ou o acréscimo de uma informação acessória. Na 6ª parte, esse sinal de pontuação é usado em  uma conversa do protagonista com Luana.
a) Levante hipóteses: Que tipo de relação você acha que existe entre eles?
b) O que o emprego dos parênteses sugere?

8. O narrador intitula a última parte de “O final... reticente...”. Como você sabe, as reticências  podem ter diferentes papéis e sentidos. Veja alguns deles:
• indicar que o sentido vai além do que foi expresso;
• indicar suspensão do pensamento, reflexões;
• indicar dúvida, hesitação;
• permitir que o leitor, usando a imaginação, dê continuidade ao texto.
Na sua opinião, qual ou quais dos itens acima traduzem melhor a intenção do narrador ao associar essa fase da vida a esse sinal de pontuação?

# RESPOSTAS (GABARITO)
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